17 de maio: Por que lutar contra a homofobia?

17/maio/2012, 15h38

*Rubem Silva-Brandão

Recentemente temos visto fortes ataques homofóbicos à população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Se em algum momento pensamos que essa questão era estritamente de fórum intimo, a homofobia é causadora de centenas de mortes no Brasil, colocando nosso país entre aqueles mais intolerantes à diversidade sexual no mundo. Diariamente milhares de LGBT sofrem homofobia, caracterizada como diversos tipos de violência e intolerância às pessoas que cultivam relações que destoam do padrão hegemônico esperado pela sociedade. Nas escolas, locais de trabalho e na família, a homofobia é um perseguidor natural daqueles que simplesmente querem amar.

O “bullying”, expressão em ascensão nos últimos tempos, não é novidade dos anos 2000. Caracterizado pelo preconceito e intolerância às pessoas, comumente é associado às práticas de rejeição entre colegas nas escolas, sejam pelas condições de orientação sexual ou mesmo quando se refere à etnia. Por trás dessa palavra, há escondidas outras que revelam o seu real significado, como o preconceito, racismo, ódio, intolerância, preconceito, violência e machismo. Reconhecer que vivemos com todas essas questões numa sociedade excludente e discriminatória, é fundamental para entendermos a necessidade de lutarmos pelos direitos humanos.

No último ano tivemos a desastrosa decisão da Presidenta Dilma Rousseff de suspender a distribuição dos materiais didáticos e pedagógicos do Projeto Escola Sem Homofobia – denominado por seus detratores como “kit gay”. Atualmente as escolas ignoram o preconceito, não sabem lidar com a discriminação e pouco acolhem os estudantes que são verbal e psicologicamente agredidos por destoarem do comportamento esperado de meninos e meninas. Se trejeitos afeminados em meninos nas escolas é motivo de surras no recreio, a homofobia deve ser entendida como causa de violência, de agressão à dignidade de qualquer um – deve ser, portanto, combatida na sala de aula.

Ainda estamos muito distantes de respeitarmos a população LGBT, sobretudo as travestis e transexuais, sobretudo pela invisibilidade que essa população foi sujeitada durante nossa história. Muito frequentemente ouvimos “pode ser gay, só não precisa se vestir e falar desse jeito”. Essa invisibilidade compulsória que a sociedade nos impõe é um retro alimentador de um padrão heterossexual homofóbico. Precisamos ainda de muitos atos de rua, de muito peito de silicone para fora, de viadinhos dando pinta, para que essa invisibilidade não seja naturalizada e com isso, possamos aflorar nossas liberdades de ser naturalmente o que somos sem nos sujeitarmos a valores tão opressores.

A discriminação e o preconceito são estigmas tão fortes que milhares de travestis e transexuais são, por exemplo, abnegados de um trabalho formal. Nesses momentos percebemos a capilaridade que a homofobia exerce; se por um lado nos reprime psicologicamente, ela chega a nos impedir de trabalhar e ter direitos comuns a todos. O que está em jogo não é apenas a condição individual de cada um ser o que é, porque teoricamente podemos nos travestir ou ser gay. Nas sutilezas dessa estória, a homofobia é um muro bloqueador de direitos sociais, incide inclusive sobre os sonhos de “ser alguém na vida”.

Hoje, dia 17, comemora-se o dia internacional de luta contra a homofobia, é o momento para sairmos às ruas e reivindicarmos direitos iguais a todos, independente de nossas orientações sexuais. Foi nesse dia, há exatos 22 anos que a homossexualidade foi retirada do código internacional de doenças pela Organização Mundial da Saúde, como uma conquista dos movimentos sociais. Embora tenhamos tido fortes avanços na conquista de direitos LGBT, ainda temos muito que avançar especialmente no combate a homofobia.

Juntos, pelo direito de amar, somos todos LGBT. Junte-se a nós!

*Rubem é estudante de Nutrição da USP e militante do Juntos!