Juntos contra a corrupção na UFOPA

18/maio/2012, 18h13

*Romulo Serique

Nesta semana, foi protocolada no Ministério Público Federal uma representação assinada pelo Diretório Central dos Estudantes da UFOPA DCE-UFOPA e pela União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES) solicitando investigação acerca de indícios de corrupção envolvendo a Reitoria da Universidade Federal do Oeste do Pará.


As informações levantadas pelas entidades, no portal da transparência, e no Diário Oficial da União, dentre outras fontes, apontam indícios fortes de corrupção, dentre tais elementos, tem destaque a compra de equipamentos de laboratórios por valores muito acima do preço de mercado, o que indica superfaturamento em tais aquisições. Segundo a representação, o montante gasto pela UFOPA na compra de 13 equipamentos supera em quase 2 milhões de reais a somatória do preço de mercado de tais produtos. Há indícios de superfaturamento também na aquisição de terrenos pela Universidade, um dos quais encontra-se em litígio com a Prefeitura Municipal de Santarém, que o havia desapropriado por um valor de R$ 300 mil e a Reitoria pagou pelo mesmo a quantia de R$ 1,2 milhão.

O militante do Juntos e coordenador do DCE da UFOPA, Eduardo Henrique afirma que é um absurdo ter que encarar indícios tão fortes de corrupção dentro de uma instituição de ensino pública, que é financiada com o dinheiro do povo, e além disso a universidade sequer investe adequadamente em políticas de assistência estudantil básica, dentre outras necessidades imediatas para o pleno desenvolvimento das atividades fins da universidade.

Desde a fundação da UFOPA em 2009, a comunidade acadêmica tem lutado pela abertura democrática da universidade, que segue a mercê dos interesses da reitoria pro-tempore indicada pelo MEC, que segue governando a mãos de ferro e sem transparência, em quase 3 anos de existência, a administração superior nem seque fez prestação de contas.

As denúncias geraram um clima de insatisfação dos estudantes e merece reflexão da comunidade acadêmica, sem uma gestão democrática e uma administração democraticamente eleita pela comunidade acadêmica, o dinheiro destinado para a educação pública continuará sendo desperdiçado.

Para Ib Tapajós, militante do Juntos e Coordenador da UES, a corrupção atinge todos os poderes e esferas do Estado brasileiro: Executivo, Legislativo e Judiciário; estados, municípios e União. Longe de ser um simples “desvio de conduta” de alguns políticos, a corrupção é um fenômeno inerente ao sistema capitalista, que ajuda a dar sustentação ao sistema. Lutar contra a corrupção, onde quer que ela ocorra é parte da luta por outro futuro.

*Estudante do curso de biologia da UFOPA, diretor de universidades púbicas da UES, militante do Juntos, membro do GTN (Grupo de Trabalho Nacional do Juntos)