Manifesto do Juntos para Cúpula dos Povos

18/jun/2012, 16h53

Dever de lutar, direito a outro futuro

O mundo está em discussão. Sejas nas assembleias dos movimentos “Ocuppy”, seja nas reuniões organizadas por ministros e chefes de Estado. A pauta é única: o futuro da civilização. Existem muitos “sinais de alerta” que estamos correndo riscos mais sérios do que se pensa. Exemplos não nos faltam, infelizmente: o avanço do desmatamento na região Amazônica, o desastre recente na usina nuclear japonesa de Fukushima, entre outros eventos trágicos que se aceleram com a crise ambiental.

A Rio+20 traz a tona essa discussão. Mas a Conferência não tocará, possivelmente, no balanço dos retrocessos vividos nestes 20 anos, como o fracasso do Protocolo de Kyoto ou o novo entrave nas negociações da Conferência Mundial do Clima (COP-15), em 2009. E não o farão porque os interesses que os Chefes de Estado defendem vão na contramão da defesa do meio ambiente. As diferentes etiquetas apresentadas em conceitos como “desenvolvimento sustentável” e “economia verde”, são na verdade, proposta de seguir a destruição ambiental, porém com uma fachada “bem comportada”.

Isso pode ser notado em discussões bem concretas: o plano de megaempreendimentos na América Latina, conhecido como IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Latino Americana) que vai atacar regiões inteiras, devastando o meio ambiente e comunidades originárias. No Brasil, a aprovação do novo Código Florestal obedece à lógica do desmatamento e do privilégio aos ruralistas. Tudo isso sob a bandeira do “crescimento sustentável”. Esta é a agenda do 1% mais rico que quer seguir controlando os destinos do planeta.

Felizmente, a luta ambiental também acumulou muito nos últimos vinte anos. A incorporação da defesa dos territórios originários, da dimensão urbana, da aliança com setores da luta social vem dando fôlego às novas lutas. Nosso continente foi marcado por lutas importantes no terreno ambiental: a luta dos indígenas bolivianos, a das comunidades do sul do Peru e da Argentina contra as “megamineiras” e mesmo no Brasil, com a ampla rede de apoio ao veto integral do Novo Código Florestal, ou a luta contra a construção da usina de Belo Monte. Os 99% estão em movimento. Temos que aproveitar a Cúpula dos Povos para construir uma agenda comum de lutas. Temos a obrigação de lutar por outro futuro.

 O capitalismo não pode ser reciclado

As propostas de Economia Verde ou “capitalismo humanitário” são remendos diante de uma das mais graves crises da história do capitalismo. Tais propostas buscam canalizar a crítica a este sistema para a responsabilidade individual, reduzindo a ações pontuais o arco de possibilidades de intervenção contra a crise e em defesa do meio ambiente. Na verdade, querem transformar – como tudo no capitalismo – a preservação ambiental numa fonte de lucros, com certa “consciência limpa”.

A crise que arrastou a Europa, Estados Unidos e começa a chegar aos países da periferia do capitalismo mundial traz prejuízos ambientais, sociais, liquidando qualquer perspectiva de futuro. Em boa parte da Europa o desemprego chega a 50% entre os jovens.  O capitalismo como modo de produção, como projeto global mostrou que só traz falência, miséria e destruição. Não há nenhuma condição de reformar o capitalismo. Cabe à juventude, à nova camada de ativistas sociais, avançar na luta contra o capitalismo. Nenhuma geração teve tanta responsabilidade e potencialidade. Só com essa estratégia, podemos impor a vontade dos 99% contra o 1% que controla nossas vidas.


O Brasil indignado, Universidades, praças e ruas

Quebec, Barcelona, Rio de Janeiro, Uberlândia, Brasília. O fato de que nestas diferentes realidades as universidades estão paralisadas não é mera coincidência. A crise mundial tem despertado uma resposta global.

A luta nas universidades federais, que hoje já conta com adesão de quase 50 das 59 universidades no Brasil (com várias greves estudantis), está ganhando cada vez mais força. Hoje, essa luta é o ponto mais alto da defesa da educação no Brasil. A verdadeira rebelião de professores, servidores e estudantes está marcando o período. Enquanto assistimos ao espetáculo deplorável da CPI de Cachoeira, que mais uma vez terminará em pizza, a educação no Brasil vive sua dura realidade.

A massiva participação dos estudantes mobilizados na Cúpula dos povos deve servir para a convergência destas lutas. Ali estarão reunidas centenas de ativistas interessados em se solidarizar também com a luta travada nas universidades. O descaso dos governos, em especial do governo brasileiro, com a questão ambiental não é um fato isolado. De modo geral, aqui e no mundo, privilegia-se o lucro de poucos em detrimento do investimento em direitos básicos da população como educação, saúde e em políticas de preservação ambiental. Necessitamos denunciar as verdadeiras prioridades dos donos do poder reunidos na Rio+20. Deve-se aproveitar este espaço para que a mobilização em defesa da educação extrapole os muros das universidades federais, sensibilizando amplos setores da sociedade brasileira e internacional.

Semeando a primavera carioca: Juntos Somos Freixo

O fator determinante para a consolidação do Rio de Janeiro como palco de grandes disputas política é a sua localização no centro das contradições do desenvolvimento do modelo econômico e político em curso no Brasil. Aqui podemos ver os elementos centrais do cenário nacional: concentração de renda, megaeventos, a aliança em torno da “governabilidade” [PT e PMDB] e de forma crescente, a repressão ao movimento social. O grande comandante dos negócios da burguesia brasileira ascendente é Eike Batista. Com seu “centro operacional” no Rio, ele movimenta grande contingente de capitais nos setores de logística, petróleo, indústria naval, energia e mineração.

O governo estadual de Cabral e a prefeitura do Rio sob o comando de Eduardo Paes apostam todas as suas fichas neste modelo, sustentado na tríade UPP’s, Copa/Olimpíadas e Pré-Sal. O sucesso desta aliança parecia inquestionável, mas não demorou muito para surgirem fissuras. O Rio de Janeiro neste último ano foi palco de grandes mobilizações (bombeiros, funcionalismo público da saúde e educação, trabalhadores do porto) e seus dirigentes políticos protagonizaram graves escândalos de corrupção, como o de Carlinhos Cachoeira, Delta e cia.

A candidatura de Marcelo Freixo à prefeitura do Rio de Janeiro tem se apresentado como a verdadeira possibilidade mudança. Alicerçada na crítica ao status quo e na necessidade de mobilização e participação da sociedade carioca para mudar a política da cidade, Freixo conta com o apoio dos movimentos sociais, de entidades de direitos humanos, educadores da rede pública e privada, jornalistas, trabalhadores da saúde, funkeiros, artistas, intelectuais e muitos jovens.

Freixo tem angariado o apoio, sobretudo, de todos aqueles cariocas (e são muitos) que identificam na sua candidatura a possibilidade do reencontro da política com princípios de justiça social, promoção da igualdade, ética, honestidade, democracia, participação popular.

O Juntos acredita que esta campanha-movimento pode transformar o sentido da política no Brasil, a partir do exemplo carioca. Podemos aproximar os 99% dos espaços de decisão no país, fazendo com que as praças e as ruas diminuam sua distância do palácio. Vamos com Freixo, para mudar a cidade do Rio de Janeiro, através do protagonismo da juventude. A juventude tem a possibilidade de ocupar a política na cidade e no país, por isso que Juntos Somos Freixo.

Manifesto para Download: manifesto_cupula

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017