Não é à toa, nem por acaso. Tamo em defesa do CAASO!

22/set/2012, 10h15

* Rafael Ferrer “Arroz” e Túlio Queijo

O XI Congresso dos estudantes da USP, que organizou o movimento estudantil, foi claro ao definir a democratização da USP como pauta prioritária do movimento e em apontar perspectivas dos próximos passos dessa luta. O campus de São Carlos, por exemplo, já vivencia a concretude do que se trata essa luta.

Uma série de questões que afetam diretamente os estudantes vem sendo discutida pela direção do campus. A direção da USP neste campus está tentando efetivar um pacote de medidas para retirar a autonomia dos estudantes sobre o seu espaço, o CAASO (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira). Querem retirar o atual espaço dos estudantes e proibir a realização de festas e venda de bebidas. Além disso, estão ameaçando retirar a autogestão da moradia estudantil e implementar um convênio com a PM semelhante ao imposto no campus de São Paulo. Trata-se do modelo autoritário da atual gestão de reitoria apresentando a sua face também no interior.

Os estudantes não abrem mão da autonomia. Entendemos que a universidade pública deve prezar pela produção e difusão de conhecimento e, sobretudo, prezar pela formação de um cidadão crítico capacitado para intervir, formular e pensar a sociedade como um todo. A formação acadêmica é fundamental, contudo a universidade deve abarcar outros espaços de vivência e experimentação, não só para os estudantes, mas para a população como um todo. Nesse sentido o CAASO se gabaritou e se consolidou ao longo dos anos como um importante polo de formação cultural, política e cidadã e tudo isso se viu ameaçado.

Ao longo de sua história o CAASO participou ativamente das lutas em defesa da universidade pública, mas também de mobilizações sociais mais amplas, como quando se posicionou contra o golpe de Estado que deu início à ditadura e passou a ser um centro de resistência na defesa da redemocratização do país. Ainda hoje o CAASO se pauta pelos movimentos sociais de São Carlos, sendo uma das entidades construtoras do Movimento do Transporte Justo, e da Frente Feminista de São Carlos.

Diante da possibilidade de imposição desse pacote de ameaças, a resposta dos estudantes foi categórica. Na primeira reunião do órgão deliberativo, que tinha como pauta essas questões, cerca de 600 estudantes paralisaram suas aulas e participaram de um forte ato em defesa do CAASO. Mais ainda, mais de 100 estudantes permaneceram acampados no campus até o dia seguinte para pressionar a diretoria a negociar. Essa mobilização não passou desapercebida pelos dirigentes do campus. Tiveram de conceder paridade na comissão permanente de segurança, algo inédito no histórico recente do campus, que discutirá a possibilidade de convênio com a PM. Assim os estudantes por meio de forte organização conseguiram sua primeira vitória e melhores condições de negociação.

Os estudantes permaneceram mobilizados, construindo atos, assembleias, debates em cursos e dialogo com a população. Na ultima reunião, que ocorreu dia 19/09/12, os estudantes manifestaram novamente seu posicionamento e fizeram belo ato que lhes garantiu uma vitória acachapante. As bebidas não foram proibidas, e o alojamento continuará sendo gerido pelos estudantes. A vitória foi muito comemorada. Com isso percebemos que somente quando os estudantes protagonizam uma mobilização em defesa dos seus direitos através de um debate amplo e coeso é que obtemos vitórias reais, numa estrutura de universidade e sociedade que não é democrática.

Tod@s devem comemorar muito esta importante vitória que tem lastro para muito além da USP-São Carlos, mas é importante continuarmos mobilizados. A autonomia do CAASO continua ameaçada por investidas do Ministério Público que questiona a legitimidade do espaço da entidade. Nesse momento é preciso nos mantermos firmes em defesa da entidade. Isto também nos leva a refletir que USP tem se tornado cada vez mais antidemocrática, autoritária e elitista, produzindo conhecimento para grupos restritos e se distanciando da sociedade, inclusive da sancarlense. Frente a isso o CAASO não se ausenta da luta pela democratização da universidade. Por ser uma voz dissonante e incômoda para alguns grupos da USP, principalmente para os dirigentes da universidade, a tentativa de desarticular o movimento dos estudantes é evidente. Desta forma esse processo comprovou que hoje, lutar pela democracia na USP passa pela luta dos estudantes do CAASO.

Entendendo o CAASO como um importante ponto público de formação política, social e cultural, enfrentar o atual modelo de universidade significa colocar o CAASO a serviço da população para cumprir de fato com seu papel social. É fato que, o movimento estudantil passa, em geral por um momento em que suas lutas se baseiam em garantir a manutenção de direitos, porém, o Juntos! se faz entusiasta desta ocasião, onde os estudantes se mobilizam com um potencial de avançar as lutas em direção a uma universidade pública, democrática e socialmente referenciada. Por isso, convidamos e convocamos a todos que compartilham de alguns desses ideais para lutar em defesa do CAASO. Essa mobilização concretiza a luta contra repressão, contra a autonomia estudantil e por democracia real.

* Rafael Ferrer “Arroz” e Túlio Queijo são diretores do CAASO e militantes do Juntos!

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017