25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher

25/nov/2012, 17h30

*Samily Maria

“Nada causa mais horror à ordem do que mulheres que sonham e lutam” (José Martí) 

No dia 25 de novembro de 1960 foram assassinadas Antonia, Minerva e Patria Mirabal, três irmãs moradoras da República Dominicana, país este, que vivia na época o regime do ditador Rafael Trujillo. As irmãs formavam o grupo Las Mariposas, grupo de oposição ao regime do ditador, sendo esta apontada a maior causa de suas mortes.

E foi em meio à luta feminista que em 1981, no 1º Encontro Feminista Latino Americano Caribenho, em Bogotá, o dia 25 de novembro foi definido como dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher.

A violência contra as mulheres assume muitas formas – física, sexual, psicológica e econômica. Estas formas de violência se inter-relacionam e afetam as mulheres desde antes do nascimento até a velhice e, o principal motivo de tal violência não é estabelecido culturalmente, por região ou país, mas sim agregado à discriminação persistente contra as mulheres, através do machismo, gerando todo o tipo de violência. E os índices da violência contra a mulher são assustadores, pois se calcula que cerca de 70% das mulheres do mundo sofrem algum tipo de violência no decorrer da vida.

Infelizmente, o Brasil é o 7° País do mundo em morte de mulheres. Só em 2011 foram 41 mil assassinatos de mulheres em todo o País e cerca de 70 mil notificações de agressões contra mulheres, sendo que estes são apenas os números alcançados a partir das denúncias feitas. Muitas das mulheres violentadas não têm se quer coragem para denunciar o agressor, este que muitas das vezes é um vizinho, tio, primo, parceiro intimo, padrasto ou seu próprio pai.

Alguns tipos de violência, como o tráfico de mulheres, cruzam as fronteiras nacionais. Os dados são que anualmente cerca de 500 mil a 2 milhões de pessoas são traficadas por ano para além da situação de mão de obra forçada e condições análogas à escravidão, a prostituição também está inclusa, com meninas e mulheres respondendo por 80% das vítimas.

A luta das mulheres, dos movimentos sociais pela conscientização do combate a todo o tipo de violência contra a mulher é árdua e constante, interpassando do espaço doméstico, até a luta pela igualdade social, respeito e garantia de vida. Um dos maiores trunfos para o movimento de mulheres apesar da luta constante para efetivação de sua aplicabilidade foi à criação da Lei Maria da Penha (11.340/06) , que “ampara” estas mulheres violentadas, enquadrando e criminalizando o autor da violação. Esta hoje é uma de nossas maiores armas no encorajamento dessas mulheres em dar o primeiro passo rumo à libertação, o de não calar-se perante a agressão.

E neste dia 25 de novembro de 2012 convocamos a todas as mulheres para sairmos às ruas Juntas, pois “as mulheres são como as águas crescem quando se juntam” e juntos a nós, homens feministas, famílias inteiras, gritarão NÃO à violência contra mulher, NÃO a sociedade machista, desigual, opressora e sem direitos. Sairemos às ruas mais uma vez, para mostrar à sociedade que a violência contra a mulher enfraquece não somente as mulheres que a sofrem, mas também suas famílias, comunidades, seus países, e que somente a luta nos libertará.

*Estudante de Pedagogia da UFPA, militante do Juntas