Juntos entrevista: Anabela Lanranjeira, da Direção Nacional da Interjovem, em Portugal

19/dez/2012, 10h48

Anabela Laranjeira, 28, é da Direção Nacional da Interjovem, uma organização de jovens trabalhadores ligada à CGTP, central sindical portuguesa. Realizei a entrevista com ela marchando na manifestação desse dia 15 de dezembro, contra a austeridade e o orçamento de Estado de Portugal para 2013.

 Juntos: Qual a principal reivindicação da manifestação de hoje?

Anabela: A manifestação de hoje exige que o Presidente da República vete o orçamento de Estado de 2013 para Portugal. Este orçamento é amplamente rejeitado pelos jovens e trabalhadores, pois representa um conjunto de medidas que trará de volta a fome e a miséria ao nosso país. É isso que estamos dizendo hoje. Portugal tem hoje já milhares de jovens desempregados, com uma taxa em 39%. Temos também mais de 450 mil jovens sobrevivendo mensalmente com o salário mínimo de 485 euros, um salário que não lhes permite pagar suas próprias contas e viver com autonomia. Por isso, o conjunto de medidas que vêm no bojo do orçamento de Estado de 2013 não pode ser implementada. Por isso, exigimos que o Presidente vete esse orçamento, mas sabendo que isso é improvável, sabemos também que devemos seguir com nossa luta, como já foi na greve na geral, com grande participação de jovens. Vamos continuar na rua até que a política atual seja mudada.

Juntos: Quantas pessoas há na manifestação de hoje?

Anabela: Ainda não contabilizamos. Mas muitos estão se juntando a nós durante a própria passeata. Temos certeza, ao menos, que são milhares, assim como se passou na manifestação do Porto em 08 de dezembro. Há muitas pessoas na rua e muitos jovens também, espalhados ao longo da manifestação.

Juntos: Como foi o dia 14 de novembro, da greve geral, em Portugal?

Anabela: Foi um dia em que os trabalhadores fizeram uma grande demonstração de que podemos lutar por nossos direitos. Estamos contra a política do governo e temos propostas alternativas, no sentido de taxar o capital e os lucros, aumentar os salários e não prejudicar os serviços públicos e empresas nacionais. Nós demonstramos que temos alternativa e estamos dispostos a lutar por ela. No dia 14 de novembro, muitos e muitos trabalhadores fizerem greves em situação de precariedade em suas empresas, muitos jovens entraram em greve mesmo estando contratados de maneira temporária. Mesmo assim aderiram à greve. Sentimos, além de uma grande resistência, um grande apoio da população. Houve manifestações em quase todas as grandes capitais de distritos do país, em que muita gente se juntou e em que via realmente a participação das pessoas. Assim como vemos na manifestação de hoje, muitas mães com carrinhos de bebê… Houve muita participação popular.

Juntos: O que significa para a juventude o momento em que se vive em Portugal, em que grande greves e mobilizações de rua voltam à tona?

Anabela: A juventude em Portugal sempre lutou. Nos últimos anos, as comemorações do dia da juventude, em março, reúnem milhares de jovens trabalhadores. O que tem acontecido agora é um crescente, um aumento muito grande da participação. Desde que o governo passou a destruir os direitos sociais conquistados na Revolução de Abril, tem havido uma resistência muito grande dos trabalhadores e dos jovens, tanto nas escolas como nos locais de trabalho. E nós consideramos que isso pode levar ao fim das políticas de austeridade. Nós temos hoje uma geração de trabalhadores muito qualificada, com muita experiência, gente que tem vontade de trabalhar, mas que está sendo desperdiçada. Por isso, há um grande sentimento de descontentamento na juventude e nas famílias, o que leva ao aumento da contestação social, da luta e até da sindicalização. Será somente por essa via que colocaremos de novo aquilo que são as conquistas do 25 de Abril como uma realidade.

Juntos: É possível derrotar Passos Coelho e a Troika?

Anabela: Se não pensássemos que fosse possível, não estaríamos aqui em luta. Queremos derrotar o governo e, principalmente, rasgar o memorando da Troika. Não é possível memorando, ele destruirá o país.

Juntos: O Juntos! é uma organização de juventude brasileira, mas achamos a militância internacionalista fundamental. Entre os dias 28 e 31 de março, inclusive, faremos um Acampamento Internacional da Juventude Anticapitalista. Para você, o que a juventude portuguesa tem a ensinar para a juventude brasileira?

Anabela: No nosso país, lutamos pelos nossos objetivos e direitos. Acreditamos que osjovens e trabalhadores do Brasil façam o mesmo. Na greve geral do dia 14 de novembro, em vários países houve protestos e reivindicações, e consideramos isso muito importante. Nos nossos países, a luta que desenvolvemos é local, mas também um foco de solidariedade com a luta dos jovens de todo mundo.