Acampamento Internacional da Juventude Anticapitalista e Anti-imperialista

06/jan/2013, 16h07

O mundo está em processo de mudança veloz e indignada. A crise econômica, política, ideológica e ambiental mostra o labirinto sem saída do capitalismo global. Do governo mundial dos bancos e corporações, e seus agentes nacionais, a única resposta é a liquidação dos direitos sociais, mais desemprego, miséria e falta de perspectivas para os povos.

Pela democracia real, em defesa da educação pública e gratuita, por trabalho e contra a precariedade: estas são algumas das bandeiras que integram o programa internacional de luta da juventude. Da praça Tahrir aos colégios ocupados no Chile; da rebelião estudantil em Quebec ao movimento “soy #132” do México; dos indignados em Puerta del Sol às lutas em Portugal; das mobilizações em Bogotá até Cajamarca no Peru; da luta contra a Monsanto na Argentina à luta pela mudança de rumo na revolução bolivariana e o enfrentamento nas ruas de Atenas contra o ajuste da Troika e o governo, todos conjuntamente expressam uma nova etapa histórica com enormes oportunidades para que as ideias socialistas ganhem maoiria social no século XXI a partir da juventude e da classe operária. Para ter futuro, é preciso modificar tudo de baixo.

A juventude da América Latina está em luta

A convocatória deste Acampamento Internacional da Juventude Anticapitalista e Anti-imperialista parte de organizações de 4 países. Da Argentina, nossa anfitriã, participa a Juventud Socialista do MST/Proyecto Sur. Da Venezuela, a Juventud de Marea Socialista/PSUV. Do Peru, o Comando Estudiantil Nacionalista (COEN) de La Lucha Continúa. Do Brasil, participa o Juntos! e também o MES/PSOL.

A juventude latino-americana também vive dias de inquietação. Os estudantes do Chile ocuparam escolas e universidades, enfrentando o modelo privatista da educação como expressão mais avançada das demandas com o mesmo caráter que atravessam todo o continente. Em Buenos Aires, os estudantes secundaristas tomaram durante dois meses mais de 60 escolas contra as reformas dos planos de estudo de acordo com as diretrizes do Banco Mundial. No Brasil, a juventude também se mobiliza nas universidades, na luta contra o aumento das passagens e foi parte fundamental da “Primavera Carioca”, que levou o PSOL a alcançar 30% dos votos no Rio de Janeiro.

Queremos poder recolher e articular a experiência das organizações de juventude de distintas culturas e tradições que possamos confluir em uma visão anticapitalista de caráter plural. Somente com uma poderosa luta juvenil em unidade com os trabalhadores e o povo empobrecido poderemos recuperar os recursos entregues às corporações e defender o que ainda não conseguiram apropriar-se. É fundamental enfrentar o modelo de saque e depredação imposto em nosso continente pelo grande capital e os governos nacionais entreguistas.

Queremos integrar a juventude de nosso continente, realizar o intercâmbio de experiências, aprofundar o caráter internacionalista deste conjunto de organizações sociais e políticas e avançar na intervenção coordenanda das lutas anticapitalistas que atravessam o planeta. Nossa luta é para transformar a educação, a cultura, defender o meio-ambiente e avançar na construção de uma nova sociedade sem capitalismo. Para alcançar esse caminho, os jovens, os trabalhadores e a esquerda temos que aprofundar a experiência de formações políticas anticapitalistas amplas e unitárias como a Syriza da Grécia.

Fazemos este chamado às organizações e movimentos que compartilhem desse caráter em todos os continentes. Será uma vitória para o nosso acampamento contar com a presença de centenas de jovens de toda a América, além da presença de representantes da Europa, África, Ásica e Oceania.

Herdando as lutas do passado, mas sobretudo lutando para construir um novo futuro, fazemos o convite à participação do Acampamento Internacional, de 28 a 31 de março, em Buenos Aires, Argentina.