Aniversário de Chico Science: é nos organizando que podemos desorganizar

14/mar/2013, 15h35

Se fosse vivo, o pernambucano Chico Science completaria  47 anos essa semana.
Chico Ciência (ao gosto de Ariano Suassuna) junto a outros talentosos jovens olindo-recifenses, criou em meados dos 90 um dos movimentos artísticos mais revigorantes desde o tropicalismo. A periferia misturaram com as classes médias, as guitarras do rock com as alfaias do maracatu, o funk com a tradição nordestina; a incipiente “high-tec”, que hoje nos é tão familiar, fundiram com a rústica lama do mangue. Caranguejos com cérebro, mangue-boys atentos à Josué de Castro, “explodiram” por todo o país e para além.
Experimentei a euforia do “manguebeat” indiretamente, e só fui encantado pelo som três ou quatro anos após a sua morte (1997). Desde então, considero Chico Science o maior expoente da geração anos 90 – marcada pela expectativa com a redemocratização e pela decepção gerada com o avanço neoliberal. Foi também a mair perda para na música brasileira jovem dos últimos tempos.

“Posso sair daqui para me organizar, posso sair daqui para desorganizar. Da lama ao caos, do caos à lama, um homem roubado nunca se engana!”

(Por Renan Theodoro, mestrando em Sociologia, coordenador da Rede Emancipa de Cursinhos Populares e do Juntos!SP)