No Dia Internacional de Combate ao Racismo, pouco há pra se comemorar

21/mar/2013, 14h20

Glacia Pereira*

Já no começo deste ano, vimos os inúmeros casos de racismo: político alegando que africanos são amaldiçoados, comandante de polícia dando ordem para abordar negros, garoto negro sendo oferecido à venda na internet, menino vítima de racismo em loja da BMW, menina sendo espancada por ser negra… além de milhares de outros casos que acontecem diariamente e não são divulgados pela mídia.

2013E agora, desfile de moda que coloca palha de aço como cabelo das modelos para “homenagear” os negros. Os negros não se viram representados neste desfile, muito pelo contrário, se sentiram ofendidos e revoltados. Algo que inferioriza, trazendo um reforço aos estereótipos racistas, não é homenagem. A relação do cabelo da mulher negra com a esponja de aço, sempre foram motivos de piadas grotescas que sobrevivem até hoje.

O Dia Internacional de Combate ao Racismo vem, esse ano, em uma semana onde foram noticiadas uma série de casos de racismo.  Não há muito o que se comemorar: desde piadas com negros sendo vendidos na internet até racismo em trote, o fato é que o racismo ainda não acabou no Brasil. Muito pelo contrário: segue vivo e matando negr@s diariamente, principalmente nas periferias das grandes cidades brasileiras. Apesar de uma falsa ideia de democracia racial, seguimos vendo, diariamente, a discriminação assolar grande parte da população por sua cor de pele.

Em muitos dos casos de racismo, as pessoas acreditaram serem apenas piadas. Muitas pessoas chegam a dizer que não tem nada a ver, mostrando como o racismo é naturalizado. Muitas pessoas não conseguem enxergar isso, já que as opiniões foram tão manipuladas ao longo dos anos pelos veículos midiáticos que se criou um racismo cordial institucionalizado que passa despercebido em sua tentativa cordial de manipulação racial.

A verdade é que vivemos em um país racista, essas coisas só ajudam a demonstrar como a violência racial que é algo alarmante no Brasil. O racismo gera vítimas todos os dias, com violências físicas e verbais. O mais extraordinário não é só o trágico, brutal e vergonhoso racismo, mas sua permanência ao longo do tempo. E, apesar de tudo isso, há pessoas que dizem que não se deve tocar no assunto. Quem se levanta para reclamar está vendo coisa onde não tem e é taxado de extremista. Mas o que muda a questão do racismo é a luta diária para modificar a consciência de todos. Não podemos fechar os olhos para esta realidade ou demoraremos ainda mais para transformá-la. Esquecer a história, naturalizar os fatos discriminatórios é a melhor maneira de perpetuar a dominação. Não nos calaremos diante do racismo, da intolerância e da discriminação!

*Glaucia Pereira, estudante de Geografia da Universidade Federal do Paraná e militante do Juntos! PR