Declaração de Buenos Aires – I Acampamento Internacional da Juventude Anti-imperialista e Anticapitalista

08/abr/2013, 11h14

Reunidos em Buenos Aires quase 2000 jovens de 10 países da América Latina e Europa, debatemos intensamente durante 4 dias sobre a crise capitalista mundial, seu alcance e a necessidade – e oportunidade – de construção de fortes alternativas políticas para enfrentar as corporações imperialistas e os governos capitalistas em cada um de nossos países.

Abordamos a situação continental e as perspectivas do processo de lutas que percorre toda a região, constatando que existe uma enorme vitalidade no movimento de massas para enfrentar as políticas de ajuste que a maioria dos governos nesta parte do mundo aplica.

Estamos num momento decisivo para a América Latina após a morte de Chávez, no qual temos que aprofundar o processo bolivariano para avançar em todas as tarefas anti-imperialistas presentes.

Também pudemos definir com certeza que a juventude em todo o mundo, e também na América Latina, é o setor mais castigado pelas consequências da crise do capital, mas também o setor social que mais luta contra as políticas antipopulares dos regimes do continente.

Essa juventude repudia e enfrenta os governos do ajuste e também os aparatos que tentam impedir sua radicalização política e giro à esquerda. Por isso, dizemos que todas as nossas organizações no Peru, Brasil, Venezuela e Argentina estão em pleno desenvolvimento e crescimento e que ingressam em uma etapa superior de influência e força em cada país.

Dizemos, no mesmo sentido, que devemos privilegiar o desenvolvimento de uma confluência continental dos anti-imperialistas e anticapitalistas a partir de nossas organizações para avançar com todas aquelas forças que tenham uma compreensão comum do momento histórico, das perspectivas e tarefas colocadas para os revolucionários, sem importar sua procedência ideológica ou tradição política. Por isso, valorizamos a presença de todas as organizações convidadas a nosso Acampamento – como o Partido Igualdad do Chile, o Movimiento 138 do Paraguai, o RAP da República Dominicana, etc. – e especialmente destacamos a participação das juventudes da IV, cuja participação permite desenvolver uma colaboração mais estreita no próximo período.

Por tudo isso, propomos resolver nesta plenária final como campanhas e tarefas prioritárias:

* Impulsionar uma campanha internacional de defesa de nossos recursos naturais e a da vida de nossos povos, contra o modelo de saque e contaminação das corporações imperialistas associadas aos governos de cada país. Fora Monsanto! Fora Barrick Gold da América Latina!

* Impulsionar uma campanha internacional de solidariedade com Julian Assange, exigindo sua liberdade por considerá-lo um refém do imperialismo.

* Impulsionar uma campanha em escala internacional também em defesa do direito social dos povos à educação pública, laica e gratuita no caminho de uma nova reforma educacional continental a serviço dos povos e não das corporações. Nesse sentido, apoiar e participar da realização de um Encontro Latino-americano pela II Reforma Universitária, que ocorrerá no Peru.

* Organizar, ao longo de 2013, jornadas de ação coordenadas destas campanhas e iniciativas em todos os nossos países, construindo, também, pontes de unidade com as organizações convidadas a este Acampamento Internacional.

* Propomos, além disso, para consolidar o triunfo político deste Acampamento, editar uma revista que reflita a atividade realizada no Acampamento, os principais debates e resoluções e a perspectiva de continuidade desta experiência.

* Impulsionar a difusão deste evento em todas as redes sociais e por todos os meios possíveis para chegar a dezenas de milhares de jovens em todo o mundo.

Apoiamos, além disso, as propostas de consenso apresentadas nos distintos grupos de discussão, tais como:

* Campanha pela libertação dos presos de Curuguaty (Paraguai);

* Campanha de solidariedade com o dirigente dos bombeiros do Brasil Daciolo;

* Apoio, na medida das possibilidades de nossas organizações, à coleta de assinaturas de residentes peruanos a favor da construção do novo partido naquele país;

* Fortalecer a coordenação de juventude de nossos partidos no próximo período, estabelecendo mecanismos a resolver entre nossas organizações;

* Continuar apoiando o processo da revolução bolivariana na Venezuela a partir dos marcos políticos definidos pelos companheiros de Marea Socialista e, em particular, a luta eleitoral do mês de abril pela candidatura de Maduro;

* Participar mutuamente dos eventos de juventude que realizem nossas organizações para fortalecer o vínculo e a coesão internacionalista no continente;

* Definir mecanismos de relacionamento mais estreito com as juventudes revolucionárias do mundo e dos indignados;

* Participar, com representação oficial de nossas organizações, no próximo Acampamento das Juventudes Anticapitalistas (no meio do ano) que se realizará na Grécia, organizado pelas juventudes da IV na Europa, como forma de estreitar os laços e estabelecer mecanismos de relação política; e

* Apoiar todas as iniciativas que promovam a intervenção da juventude nas lutas do movimento operário e na defesa dos direitos democráticos de todas as minorias oprimidas pelo sistema capitalista.

Finalmente, como continuidade deste exitoso I Acampamento Internacional, decidimos impulsionar a realização de uma nova edição do Acampamento Internacional, a princípio para o ano 2014, tendo como sede o Brasil.

Buenos Aires, 31 de março de 2013

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017