Virando a maré na PUC-Campinas!

30/abr/2013, 15h01

Entre os dias 23, 24 e 25 de abril se realizaram nos 3 campi da PUC-Campinas as eleições para a tiragem de delegados para o 53° Conune e a eleição de reconstrução do Diretório Central dos Estudantes – DCE, inativo desde 2009.

41784O processo, marcado pela disputa de dois projetos políticos bastante distintos, contou com a participação de quase 5.000 estudantes, distribuidos pelos mais variados cursos da Universidade. De um lado, o grupo daqueles que nos últimos tempos já vinham se organizando e tensionando a estrutura autoritária da PUC-Campinas, construído pela Oposição de Esquerda composta pelo Juntos!, Levante, Construção e independentes, e  de outro, a coligação eleitoralesca da UJS com setores do PT e do PSDB,  pautada na aproximação promíscua  do DCE aos órgãos administrativos da Universidade e na defesa da majoritária da UNE e suas políticas.

Um momento importante de reconstrução

Nos últimos anos, o Movimento Estudantil na PUC-Campinas viveu momentos difíceis. Poucos CA ‘s e DA’s em atividade, pouca articulaçao entre os centros e os campis, baixa participação dos estudantes na política estudantil. A ausência de uma gestão de DCE, gerada em grande parte pelo enfraquecimento das entidades de base, agravou ainda mais o quadro, gerando desorganização e impossibilitando, inclusive, que os estudantes tivessem representação no Conselho Universitário.  Sem qualquer representação estudantil que lhe fizesse frente, a Reitoria avançou na sua política segregacionanista, coibindo ainda mais a participação dos estudantes, professores e funcionários na vida universitária, impondo normas que limitavam reuniões, aumentando o custo de permanência, aumentando mensalidades e avançando em um projeto de mercantilização do ensino sem precedentes.

Apesar da enorme desmobilização do movimento estudantil, algumas lutas foram tocadas diante das dificuldades enfrentadas pelos estudantes em cada centro. A luta contra os altos valores da cantina no Campus II, as diversas reivindicações colocadas em pauta pelo Cortejo dos Descontentes no CCHSA, os cadeiraços realizado na Faculdade de Arquitetura, as movimentações realizadas no curso de Direito por estrutura e por um ensino crítico, as mobilizações em prol de pautas ligadas aos direitos humanos e minorias, e, finalmente, a resistência empreendida pelos CA ‘s contra o contrato de comodato, que retirava a autonomia das entidades estudantis em seus espaços físicos, que estimulou a organização entre todos os cursos e evidenciou a falta que um instrumento como o DCE faz para o movimento.

A partir de Conselhos de Entidades de Base e diversas reuniões, foi chamada a eleição de reconstrução do DCE da PUCC, em um processo conjunto para a tiragem de delegados para o 53° Conune. De forma legítima, setores que não construiram qualquer das lutas estudantis no último período na Universidade, se mobilizaram para o processo eleitoral e disputaram a estrutura, jogando grande peso político e financeiro no processo como forma de compensar a quase inexistente construção até então. Os estudantes, no entanto, não se deixaram levar pela velha política e anunciaram um novo tempo,

O movimento vence a estrutura!

A vinda maciça de bocas-de-urna profissionais e a forte estrutura de campanha não foram suficientes para segurar a maré da mudança na PUC-Campinas! Giros importantes da UJS e apoios de mandatos e forças do PT municipal e estadual mostraram que a disputa da PUCC era uma centralidade para o conjunto dos setores governistas, organizados na chapa Filhos da PUCC. Junto a isso, a adesão majoritária de setores conservadores, organizados no PSDB (o vice presidente da chapa era também presidente da juventude tucana de Campinas), ou mesmo referenciados nesta linha de direita tradicional, mostra o  quão oportunista foi a construção deste processo do governismo na PUC-Campinas, pautada na contenção do movimento estudantil na universidade e no aparelhamento.

Esta coligação monstruosa, que se reflete também na composição do governo municipal de Jonas Donizete, buscou se colocar como alternativa aos estudantes de maneira artificial, organizando cervejadas nos campis, distribuindo materiais de campanha maciçamente,  jogando desinformação tanto à direita (estigmatizando o ME e defendendo uma relação negociada com a Reitoria) quanto à “esquerda” (dizendo que a chapa da oposição era contra os estudantes prounistas), reivindicando a UNE e as políticas de governo.

Ao mesmo tempo, a chapa Podemos Sorrir Outra Vez, da Oposição de Esquerda,  com poucos recursos, inserida no dia a dia dos estudantes e apoiada ṕelos principais CA’s, DA’s e coletivos, percorria a Universidade pautando a luta por democracia na PUC-Campinas e a democracia no Movimento Estudantil, defendendo um movimento independente e verdadeiramente representativo dos estudantes na política interna da PUCC, chamando à luta contra o burocratismo estudantil na UNE e nas entidades de base, pautando a importância do resgate do DCE para o conjunto das lutas por permanência estudantil, contra a mercantilização do ensino e por outra educação.

O resultado foi estrondoso para a oposição. Com um quórum extremamente alto, representativo de quase 1/3 dos estudantes, a chapa Podemos Sorrir Outra Vez, da Oposição de Esquerda, atingiu 2979 votos (60,78%), contra 1901 votos (38,79%) da chapa Filhos da PUCC, conquistando o DCE e garantindo 11 dos 18 delegados do Conune. A máquina eleitoral da majoritária, com sua velha política aparelhista, oportunista e despolitizada, não pôde vencer a construção de base da Oposição junto aos estudantes da PUC-Campinas. O esvaziamento e a sufocação sonora dos debates das chapas com as festas e chopadas financiadas, o exército de militantes girados, as mentiras e as coações não foram suficientes para conter a maré da mudança que percorre todo o Brasil. Na PUCC o movimento venceu a estrutura, e fez história!

Democracia na Universidade e no Movimento Estudantil!

A luta por democracia universitária, pauta histórica do Movimento Estudantil em todo o Brasil, ocupa na PUC-Campinas um espaço central. Enquanto nas universidades públicas e mesmo em diversas universidades confessionais, como as PUC ‘s, o processo de escolha da reitoria passa por uma eleição interna (mesmo que não paritárias ou mesmo soberanas), na PUC-Campinas o Arcebispo Metropolitano, autoridade máxima da Igreja e da Universidade, é quem escolhe, a seu exclusivo critério e sem qualquer processo de consulta interna, a composição da reitoria e das direções de centro e de faculdade.

A luta dos estudantes da PUC-São Paulo contra a indicação da Reitora Anna Cintra, terceira e última colocada nas eleições para Reitor na Universidade, é um referencial do caráter amplo que a luta por democracia na universidade pode ter. O avanço desta pauta na PUC-Campinas deve oferecer um novo lastro a esta luta, envolvendo alunos, professores e funcionários na conquista de mecanismos de participação direta e controle. A fumaça branca do conclave há de ser substituída pela comunidade acadêmica,

Na mesma linha, a luta por democracia no Movimento Estudantil, que se expressou ao longo do processo eleitoral no embate à prática autoritária da majoritária, vai prosseguir na PUCC e também no Conune. É necessário construir um Movimento Estudantil de novo tipo, radicalmente democrático e independente, tanto na construção de uma gestão ampla e participativa do DCE quanto também na luta contra o burocratismo e o atrelamento político existente na direção da UNE. É ṕor isso a PUCC é oposição de esquerda, e a maré vai virar também no Conune!

No CONUNE tem mais samba! Oposição de Esquerda da PUCC virando a maré!

Com 11 delegados eleitos, a Oposição de Esquerda da  PUCC vai levar ao 53° Congresso da UNE a energia do processo vitorioso ocorrido na universidade. A maré que varreu o oportunismo na PUC-Campinas chegará como um tsunami no Conune, arrastando a velha política para a gaveta do passado! Como diz a música “Batucada dos nossos tantãs”, do Fundo de Quintal, trilha sonora da chapa da Oposição, “fronteira não há, pra nos impedir”. A vitória na terra das andorinhas nos mostrou que, mais do que nunca, podemos e vamos sorrir outra vez!

*Filipe Jesus, militante do Juntos Campinas, Carol Azevedo, militante do Juntos Campinas e presidente do CA de filosofia da PUCCAMP e Aline Telles, estudante de Ciências Sociais da PUCCAMP