Estamos com Snowden! Pedido aceito na Venezuela, Bolívia e Nicarágua: nossa luta continua!

06/jul/2013, 21h17

Edward Snowden, ex-funcionário da CIA e da Agência Nacional de Segurança dos EUA, gravou seu nome na história desse século da tecnologia da informação. Ao denunciar publicamente os esquemas de espionagem secreto dos EUA contra países e cidadãos de todo o mundo, Snowden entregou a própria vida. Os EUA iniciaram uma perseguição quase implacável sobre Snowden. Numa fuga digna dos melhores filmes, foi a Hong Kong, de lá para Rússia, onde está há quase duas semanas na ala de trânsito do aeroporto Sheremetyevo em Moscou. Imediatamente inciou-se a campanha internacional de apoio a que algum país concedesse asilo político ao jovem de 30 anos.

Snowden remeteu solicitação de asilo a mais de 20 países, incluindo o Brasil. Em atitude desumana o Itamaraty respondeu que não responderia ao pedido. A América Latina definitivamente entrou na questão quando quatro países europeus – Itália, França, Portugal e Espanha – negaram seu espaço aéreo e autorização para que Evo Morales, saindo da Rússia de volta à Bolívia, pousasse em seus territórios para reabastecer a aeronave presidencial. Todas as convenções e tratados estrangeiros assinados pela União Europeia e países da América do Sul preveem a recíproca solidariedade e segurança aos chefes de Estado. Por pressão da Casa Branca, quatro dos maiores países europeus agiram como colônias dos EUA, como bem definiu Alvaro Linera, vice-presidente boliviano. Evo só pode pousar em Viena, após aceitar que fosse revistado o avião e se confirmasse que Snowden não estava lá.

snowden-brasilia O Juntos é um dos movimentos espalhados pelo mundo que esteve desde o primeiro momento com Snowden. Além das campanhas na Internet, realizou dois protestos no Brasil, no dia 5 de julho. Um no 14º Fórum Internacional de Software Livre em Porto Alegre e outro no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Com 15 ativistas, uma faixa e uma carta, o movimento teve de esperar por 3 horas para ser recebido pelo diplomata Vinicius Gulmini. Era nítido o desconforto da Diplomacia brasileira de receber nosso pedido. Soubemos que a ordem sobre como proceder com a manifestação “veio de cima” – leia-se do próprio Ministro Patriota.

Durante a noite desse mesmo dia 5 de julho veio a decisão soberana, justa e corajosa da Nicarágua, Venezuela e da Bolívia de conceder asilo diplomático a Edward Snowden. Em discurso contundente, Nicolás Maduro concedeu o asilo no país que provavelmente será a nova casa de Snowden, no melhor estilo do Presidente Chávez: a retórica e a ação anti-imperialista e bolivariana, a serviço da liberdade dos povos e dos cidadãos do mundo.

url O Juntos celebra a decisão dos países latinoamericanos, no mesmo dia da Declaração de Cochabamba, redigida ao término da reunião da UNASUR (União da Nações Sulamericanas), que exige explicações e retratações dos países europeus que fecharam suas fronteiras a Evo Morales. Porém, a melhor resposta foi enfrentar os interesses do imperialismo garantindo nova casa e a vida de Snowden. Infelizmente, o Brasil não está no mesmo compasso dos vizinhos bolivarianos. Desde aqui seguiremos nossa luta pela liberdade de Snowden, agora em nova etapa: garantir sua chegada com segurança a Caracas, cidade que certamente estaremos para recepcionar o mais novo latinoamericano. É dever do Brasil auxiliar a Venezuela, em todos os aspectos envolvidos, a suportar a dura pressão do imperialismo estadunidense.

O movimento juvenil, as entidades de estudantes e de trabalhadores, a esquerda socialista, independentes, autonomistas, democratas de todo tipo precisam se engajar imediatamente nesta campanha. O Juntos vai seguir dedicando o melhor de suas forças para que Snowden viva e sirva de exemplo para os indignados do mundo. Chegou o tempo dos “Davis”. Enfrentaremos com a cabeça erguida a todos os “Golias” que teimam em oprimir e explorar os povos do mundo.

Juntos Brasil

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017