Goiânia: a força da juventude que conquistou Passe Livre

01/jul/2013, 10h39

O Juntos chegou para o 53º Congresso da UNE em Goiânia no dia 28 de maio. Faltavam apenas dois dias para começar o mês que mudou o Brasil. A capital de Goiás já se manifestava há algumas semanas pela revogação do aumento da tarifa de ônibus. Nesse dia 28, uma terça-feira, centenas de manifestantes foram duramente reprimidos pela Polícia Militar. Cenas típicas da Ditadura, como o cercamento da Faculdade de Direito da UFG com mais de 100 pessoas impedidas de sair sob pena de prisão e agressões. Vinte jovens presos, sendo sete menores de idade.

Entrevistamos Heloísa Borges, de 16 anos, estudante de Economia da Universidade Federal de Goiás. Foi nesse junho de 2013 avassalador que Heloísa decidiu ser parte do Juntos. É ela que nos conta essa luta, que culminou com a revogação do aumento da passagem, sendo uma das primeiras capitais que as passeatas derrotaram a Prefeitura de Paulo Garcia do PT.

Goiás é mais um Estado governado pelos tucanos, com Marconi Perillo, e a capital comandada pelos petistas. Assim como São Paulo, unidade no aumento da tarifa e na repressão. E antes mesmo da capital paulista, a juventude de Goiânia conquistou a revogação do aumento e o passe livre intermunicipal na região metropolitana.

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Juntos – Como foi o processo de mobilização dos estudantes até a conquista do passe livre?

Heloísa – A luta pelo passe livre é antiga em Goiânia, assim como no resto do Brasil, mas o ano de 2013 foi decisivo; após o anúncio do aumento da passagem, estudantes se organizaram em uma Frente de Luta contra o aumento e pelo o passe livre, fizeram abaixo assinado, foram até escolas e terminais para trazer as pessoas às ruas, parando o trânsito reivindicando melhorias no transporte. Após 5 protestos o aumento foi barrado e logo após o sétimo, o passe livre aprovado.

 

Juntos – Como o ascenso das mobilizações do Brasil ajudou a vitória em Goiás?

Heloísa – O ascenso das mobilizações no Brasil deram força à luta goiana visto que após esse processo a população passou a apoiar e participar das mobilizações, pressionando ainda mais os responsáveis pelo transporte coletivo, culminando na vitória popular.

 

Juntos – Qual o espaço/movimento que organiza a juventude que luta em Goiânia?

Heloísa – As lutas de Goiânia pelo transporte coletivo foram construídas pela Frente de Lutas Contra o Aumento GO, que é formada por pessoas de vários movimentos compondo a Frente enquanto indivíduos que reúnem-se nos espaços da UFG para traçarem estratégias e tomarem decisões, mantendo assim a horizontalidade.

 

Juntos – Quais as perspectivas da luta da juventude em Goiânia? Quais as próximas lutas?

Heloísa – Diante das conquistas da luta popular em Goiânia, o movimento segue pressionando para que todas suas reivindicações sejam atendidas, como a liberação das planilhas contendo os gastos e os lucros das empresas, revisão do contrato de concessão e participação popular na CDTC (Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo). A partir dessas conquistas, novas pautas e lutas vão surgindo.

 

Juntos – Como tem sido postura da polícia em relação às mobilizações e aos manifestantes?

Heloísa – A polícia vem mostrando toda sua truculência em relação às mobilizações, reprimindo com violência, seguindo manifestantes, intimidando… Além das dezenas de prisões arbitrárias, acusando até mesmo de formação de quadrilha. Após o sexto protesto, 4 dos 9 detidos ficaram desaparecidos por mais de 4 horas, foram colocados na CPP (Casa de Prisão Provisória) e espancados pelos demais presos influenciados pela polícia.

O sétimo protesto teve como foco a não criminalização dos movimentos socais e contra a repressão, um vídeo com provas das truculência policial foi entregue ao representante do Ministério Público por membros da Frente. A reunião foi filmada por um infiltrado do serviço de inteligência da polícia, que alegou ser de um jornal. A intimidação e a repressão não param!

 

Juntos Quando você conheceu o Juntos e como surgiu o interessou de construir o movimento?

Heloísa – Conheci o Juntos no 53º CONUNE, que aconteceu em Goiânia, me interessei pela postura do movimento em relação as lutas mundiais da juventude, as ideias anticapitalistas e a organização e participação nas lutas nacionais, o que me motivou a integrar e a ajudar construir o movimento.

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