Entrevista do Juntos ao MidiaNinja

02/ago/2013, 10h46

Desde as jornadas de junho, o ritmo das manifestações no Rio de Janeiro não pára de crescer. Ressoa na cidade inteira um coro uníssono: Fora Cabral! Todos os dias há grandes grupos de pessoas se manifestando em diversos pontos da cidade, desmentindo a versão oficial do governo e da Globo de que “tudo está na sua absoluta normalidade”. O que impede a manipulação ainda maior dos meios de telecomunicação é a atuação de diversos ativistas que filmam e divulgam uma versão consistente dos fatos, obrigando a própria mídia a se desmentir.  Ao articular as lutas internacionais da juventude anticapitalista e antiimperialista, como por liberdade ao ex-analista Edward Snowden, o Juntos! saúda coletivos que propõem mídias livres e a democratização da internet. Com esse intuito, entrevistamos o MidiaNinja, afim de contribuir para fortalecer o ativismo digital e nas ruas a fim de derrubar Sérgio Cabral e todos os corruptos.

JJ!. De onde surgiu e qual a proposta do Mídia Ninja?

MídiaNinja: O NINJA surgiu de um acúmulo de mais de 15 anos de produção midia livrista no Brasil, de experiências que vão desde os fanzines e da blogosfera ao Fora do Eixo, rede que está em mais de 200 cidade no país e vem desenvolvendo tecnologias de comunicação e produção de conteúdo há 7 anos. Nesse processo aproximou de si outras redes, coletivos, jornalistas e midialivristas que, juntos, deram início a um projeto que ao mesmo tempo conseguiu que se fortalecesse um veiculo independente, como também catalizar uma rede de comunicação autônoma que usufrui dos frutos e ferramentas desenvolvidas durante esse histórico.

Hoje ele é uma rede descentralizada de comunicadores que buscam novas possibilidades de produção e distribuição de informação. São milhares de pessoas usando a lógica colaborativa de compartilhamento que emerge da sociedade em rede como premissa e ferramenta.

A iniciativa veio a tona há meses atrás, durante a cobertura do Fórum Mundial de Mídia Livre na Tunísia e desde então o NINJA vem realizando coberturas por todo Brasil, apresentando pautas e abordagens omitidas na mídia tradicional.

JJ!. O MidiaNinja já vinha cobrindo as manifestações há bastante tempo, mas ficou em evidência com a prisão de alguns de seus colaboradores na manifestação de 22 de julho, momentos antes da recepção do Papa no Palácio Guanabara. O que aconteceu naquele dia? Qual foi a importância daquela manifestação?

 

MN: No dia 22 de junho estávamos com uma equipe cobrindo em fotos e transmissão ao vivo os protestos no Rio de Janeiro. Durante um conflito na região do Largo do Machado, dois de nossos repórteres foram presos por incitar a violência. Os momentos da abordagem policial foram transmitidos ao vivo em 3 links para mais de 20 mil pessoas que acompanhavam o streaming. Centenas de mensagens de apoio chegaram, até que os NINJAs fossem liberados e mesmo coma  soltura a manifestação na porta da 9ª DP continuou com o intuito de insistir pela liberação de Bruno Ferreira, que foi detido por atirar um coquetel molotov durante o protesto, fato que foi desmentido pelos registros midialivristas que circularam nas redes sociais.

O caso foi importante para mostrar a força da mídia independente e dos registros pessoais durante as manifestações. Dezenas de fotos e vídeos foram recuperados por pessoas que se solidarizaram com o caso para impedir mais uma injustiça pela nossa força militar.

JJ!. Como vocês encaram a luta atual em defesa da democratização da comunicação no Brasil e no mundo?

É uma das principais pautas pelas quais lutamos. Democratizar a mídia vai além de quebrar os grandes e tradicionais oligopólios que dominam os meios de comunicação no país hoje, mas também proporciona campos para abrir os espaços de interlocução direta com a população e ter a possibilidade de receber a informação de diferentes fontes, o que possibilita uma análise mais crítica a partir de mais de um ponto de vista. Além do fortalecimento como da comunicação na perspectiva de serviço de utilidade pública para a defesa e sofisticação da democracia.

 

JJ!. Como vocês avaliam a conjuntura atual do Rio de Janeiro e o que encaram como necessidades para o próximo período?

 

MN: O Rio está vivo. As ruas não morreram e centenas de pessoas ainda continuam lutando pelos seus direitos. Os escrachos são a nova forma de expor situações que passavam veladas até então. É o uso inteligente das ferramentas que estão postas mas não eram usadas e toda essa situação criada estão causando grandes confusões entre a policia e o governo que não estão sabendo lidar com essas novas formas de posicionamento popular. O desafio agora é a manutenção desse observatório constante e crítico do governo usando das mídias livres para dar a visibilidade para as pautas que eram omitidas ou distorcidas pela mídia tradicional. Com a chegada dos grandes eventos a cidade está mais do que nunca em disputa e no centro do mundo, é um momento decisivo para os movimentos darem visibilidade para suas pautas.