USP e PUC-SP: juntas na luta por democracia na universidade

07/ago/2013, 14h53

Marcelo Martino e Felipe Bisulli*

No segundo semestre de 2012, a Pontíficia Universidade Católica de São Paulo sofreu mais um duro golpe à sua democracia. Contando com a participação dos 3 setores que compõem a universidade, estudantes, professores e funcionários, foram realizadas eleições para a reitoria. Desse processo, foi tirada uma lista tríplice, formada pelas chapas mais votadas no pleito. Toda a comunidade puquiana esperava que a tradição fosse mantida e o candidato mais votado fosse escolhido para ocupar a reitoria. Porém, não foi isso o que aconteceu.

Em uma atitude extremamente antidemocrática e arrogante, o arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC-SP, Dom Odilo Scherer, resolveu atropelar o processo democrático e nomeou a terceira colocada na eleição, professora Anna Cintra para o cargo de reitora. Essa atitude golpista da Fundação São Paulo, braço da Igreja Católica e mantenedora da universidade, provocou uma grande revolta em toda a comunidade puquiana.

Diante disso, teve início uma imensa mobilização por parte dos 3 setores da PUC-SP, que culminou na greve geral realizada no final do ano passado. Tomado mais uma vez pelo autoritarismo que lhe é peculiar, Dom Odilo Scherer não deu ouvidos aos clamores por democracia na universidade e manteve Anna Cintra como reitora, indo mais uma vez, na contramão da vontade daqueles que de fato constroem a PUC-SP.

No último dia 1º de agosto, porém, aquilo que toda a comunidade puquiana já considerava a respeito da reitora imposta, passou a ser também a visão da Justiça. Em requerimento feito pelo Centro Acadêmico 22 de agosto (do curso de direito), o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou ilegítima a nomeção de Anna Cintra para o cargo de reitora da universidade e indicou que o cargo seja ocupado interinamente por Marcos Masseto. Essa vitória do movimento por democracia na PUC SP só foi possível graças a grande mobilização realizada por toda a comunidade desde o final de 2012.

Na USP, a realidade é muito parecida. Em 2009 foram realizadas eleições para o cargo de reitor na universidade, eleições que por si só mostram o caráter antidemocratico que o estatuto da USP carrega. Apenas aproximadamente 5% da comunidade uspiana participa do processo, destes 90% são professores.

Não bastasse a natureza antidemocrática do pleito, o atual reitor da Universidade de São Paulo foi o segundo colocado neste processo, e só foi nomeado para sua função por conta de outro mecanismo do estatuto: a lista tríplice. O governador de São Paulo, na época, José Serra(PSDB) escolheu a dedo, desrespeitando arbitrariamente a autonomia universitária, João Grandino Rodas, o reitor mais autoritário e elitista que a USP já teve.
Esse ano teremos novamente eleições, e devido a atuação do movimento estudantil da USP, que desde o ano passado vem debatendo a necessidade de democratização da universidade, e das jornadas de junho, Rodas declarou que pretende ampliar a participação da comunidade universitária no processo eleitoral. Conhecemos nosso reitor e sabemos que não podemos confiar nele.

Junho nos ensinou que só a mobilização dá respostas concretas as nossa demandas, não podemos esperar que a estrutura antidemocrática da nossa universidade seja alterada justamente por quem se beneficia dela, apenas com muita luta e mobilização conquistaremos mudanças reais.

Nós do Juntos! entendemos que as lutas a serem travadas na PUC SP e na USP tem o mesmo fundo, a luta por democracia real nas universidades, e o futuro da universidade deve ser decisão da comunidade acadêmica e não da Igreja ou do Governo do Estado. Devemos lutar lado a lado com muita unidade entre puquianos e uspianos, por eleições diretas e paritárias, e pelo fim da lista tríplice nas duas universidades. Entendemos que não é o momento de recuar. A luta continua! #ForaRodas #ForaAnnaCintra

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*Marcelo Martino é estudante de História da PUC e do Juntos! nas Universidades e Felipe Bisulli é estudante de Geografia da USP, do DCE-Livre da USP e do Juntos! USP

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