Educador que luta também ensina – Juntos em apoio as greves dos professores

10/set/2013, 10h44

Camila Goulart e Thaís Coutinho*

Estudantes da Escola Ernesto Dorneles (Porto Alegre) apoiam a greve dos professores e contra a Reforma do Ensino Médio

Estudantes da Escola Ernesto Dorneles (Porto Alegre) apoiam a greve dos professores e contra a Reforma do Ensino Médio

Ano que vem será um ano eleitoral e veremos um fenômeno que é recorrente, independente do cargo do pretendente e da sua localização. Presenciaremos todos os políticos colocarem a educação como prioridade, assim como saúde e segurança. Porém convivemos diariamente com o descaso desses mesmos políticos quando eleitos com a educação.

Salários indignos (a profissão de professor é a carreira de ensino superior com menor remuneração), falta de investimentos, punições aos que ousam lutar, reformas educacionais enfiadas goela abaixo que aumentam cada vez mais o hiato existente entre o estudante da escola pública e a universidade. Porém, como estamos ouvindo das ruas: nada será como antes, os educadores se uniram aos estudantes!

Em junho e julho vivenciamos um verdadeiro levante em nosso país, onde milhares saíram às ruas para reivindicar seus direitos. Enquanto os governos gastam milhões com estádios de futebol as áreas sociais são sucateadas. A sociedade aprendeu que com luta se pode conquistar. Isso fica evidente nas greves da educação que estão em curso no Rio Grande do Sul, Pará e Rio de Janeiro.

No RS, os professores entraram em greve no dia 23 de agosto exigindo o pagamento do Piso Nacional, que é garantido por lei, porém com mais de 2 anos de governo Tarso do PT (autor da Lei do Piso) ainda não recebemos. Ainda por cima estão obrigando as escolas estaduais a aplicar uma Reforma no Ensino que precariza o trabalho dos educadores e afasta os estudantes da possibilidade de entrada na universidade. Na última semana, os professores em greve foram à casa do governador Tarso exigir a reabertura das negociações, no entanto fomos recebidos com bombas de efeito moral e gás de pimenta. Apesar da completa intransigência do governo, estudantes e professores seguem firmes na construção da greve.

bomba greve tarso

O ponto mais alto certamente é o Rio de Janeiro, onde as redes estadual e municipal estão em greve desde o dia 08 de agosto.  São milhares que saem às ruas para reivindicar melhores condições de ensino e trabalho, reajuste salarial e o fim da meritocracia. A greve do Rio é uma greve em defesa do direito à Educação de qualidade para os filhos dos trabalhadores. A greve do Rio é uma resposta aos ataques do governo Paes e Cabral que tentam desmontar o ensino público, tirando a autonomia dos docentes, deixando de investir nos profissionais da Educação, ao mesmo tempo em que gastam milhões com empresas e fundações privadas, como a Fundação Roberto Marinho, promovendo, portanto, a terceirização nas escolas públicas. Eduardo Paes, prefeito do Rio, e principalmente, Sergio Cabral, governador, ambos do PMDB, agem com autoritarismo para intimidar e não atender as justas reivindicações da Greve. Mas a categoria está mostrando que não se intimida diante das ameaças do governo e segue construindo uma greve forte, que teve picos de até 80% de profissionais parados e atos com 20 mil educadores, na Rede Municipal. O município do Rio, após 19 anos sem greve, realiza a maior greve de sua história, que está ocupando as ruas da cidade e demonstrando à população carioca que educador que luta também ensina!

 

Greve dos professores do município (RJ)

Greve dos professores do município (RJ)

Percebemos que em todas as greves, seja com governo do PT ou do PMDB, o tratamento com a comunidade escolar é o mesmo: intransigência e descaso. Porém nossa luta também é a mesma: uma educação pública de qualidade, respeitando os professores, funcionários e estudantes. Todos nós que acreditamos que a educação pública de qualidade é um direito, que salário digno é essencial e que a educação escolar não pode mais ser assolada dessa forma em detrimento dos megaeventos e do enriquecimento dos banqueiros temos que nos unir e nos somar na construção das greves em andamento, fomentar a construção pela base da luta em defesa da educação. Professores, funcionários, pais e estudantes precisam dar um basta no sucateamento da educação pública, mostrando para os governos que mesmo de costas para a educação, a voz das ruas quando unificada é muito alta e é uma importante ferramenta de conquistas! 

* Camila Goulart é professora da rede pública em Porto Alegre e do Juntos! e  Thaís Coutinho é professora das redes estadual e municipal, dirigente do SEPE (Sindicato dos profissionais de Educação do RJ) e do Juntos!