UFRGS: Juntos! por Ensino e Assistência Estudantil de excelência

11/set/2013, 18h17

* Nathália Bittencurt

Em tempos de protestos de educadores e estudantes do ensino médio, de rediscussão sobre os sistemas de acesso ao ensino superior, novos elementos dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul expõem o quadro vergonhoso da Educação como um todo.

A UFRGS é frequentemente destacada em rankings diversos como a mais qualificada universidade federal do país, atrás apenas da USP – que é estadual. Recentemente o jornal Folha de São Paulo divulgou nossa instituição como a 4ª melhor do país, sendo 1º lugar no quesito Ensino. Entretanto, 89 cursos oferecidos, apenas 29 foram avaliados. Esta pesquisa baseia-se em relatos de professores que avaliam a Graduação de forma geral para o Inep-MEC. Um dos critérios divulgados foi o número de professores com dedicação integral e pós-doutorado, além da nota no Enade. Infelizmente, o cotidiano do estudante de graduação, e por que não, pós-graduação e mestrado, depois que é aprovado, é diferente deste quadro de excelência.

As cotas para o acesso ao ensino superior destinadas a jovens de escola pública e também aos auto-declarados negros têm sido um fundamental avanço para a democratização do ensino público. Porém, os incentivos para entrar não são os mesmos para permanecer dentro da universidade. Os estudantes cotistas têm baixa renda familiar e ao ingressar – em qualquer curso – encontram inúmeras dificuldades: Professores e turmas sem sala de aula; aulas lotadas em horários diversos; Casas de Estudantes lotadas; a punitiva Resolução 19/2011 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, que desliga o estudante por “mau” rendimento acadêmico, sem acompanhamento pedagógico; dificuldade para arcar com as passagens de ônibus para deslocamento, Restaurantes Universitários lotados e falta de assistência estudantil.

Para piorar, na última quinta-feira fomos surpreendidos com o fechamento do Restaurante Universitário do campus do Vale, local afastado e negligenciado pela Reitoria há longos anos. O restaurante foi interditado pela Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde que atestou insalubridade, falta de higiene nos materiais usados na cozinha, alimentos vencidos e problemas estruturais. Com o grande fluxo de servidores e estudantes no campus, o restaurante servia em média 5 mil refeições diárias.

Ato RU Os RUs dos campi Centro e Saúde também apresentam constantemente superlotação. Novos restaurantes universitários são reivindicações estudantis antigas e nunca escutadas por parte da administração central, bem como novas Casas de Estudante. Entram e saem gestões e a Assistência Estudantil parece apenas piorar. O campus Vale é afastado de toda a cidade: como estão almoçando e jantando todas as pessoas que circulam por ali? O quanto vamos esperar? Na reabertura, a qualidade das refeições – sem qualquer perspectiva de opção vegetariana e suco – vai continuar a mesma?

A UFRGS não está preparada para a diversidade. Precisamos lutar pela ampliação da democratização do acesso à Universidade, bem como a permanência nela. Não queremos só entrar, mas nos desfrutarmos do ensino com todos os recursos que a melhor universidade federal pode oferecer, com assistência estudantil de excelência!

SemRUSemAula

* Nathália Bittencurt é coordenadora Geral do Diretório Central dos Estudantes da UFRGS, estudante de Jornalismo e militante do coletivo Juntos!