#NãoMereçoSerEstuprada #NãoMereçoSerAssediada #NinguémMerece!

29/mar/2014, 23h58

*Por Juntas Nacional

Na última semana, pesquisa do IPEA revelou que 65% dos brasileiros concordam totalmente ou parcialmente com a afirmação: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. É um resultado péssimo para as mulheres. Mas a indignação que se seguiu após a divulgação do resultado da pesquisa mostra que temos espaço para debate com a sociedade e a opinião pública. Se 35% dos brasilieros discordam totalmente desta afirmação, é resultado da luta histórica das mulheres. Já houve um tempo em que essa parcela provavelmente não passava de 1%. Já houve um tempo em que ninguém questionaria um resultado desses.

Mas os desafios seguem muitos. É nosso papel conscientizar a população que NENHUMA mulher merece ser estuprada. Não há justificativa para os estupros. Estupros não acontecem porque mulheres usam roupas curtas ou por seu comportamento, estupros acontecem por causa dos estupradores. Se 65% da população culpa as mulheres pelos estupros é porque ainda está presente no dia-a-dia a crença de que os homens não conseguem controlar seus instintos sexuais e que por isso as mulheres devem se previnir (usando roupas grandes, não andando até tarde na rua, etc) para conter os abusos. Dados mostram que até em países onde a burca (roupa preta que cobre todo o corpo da mulheres deixando somente os olhos a amostra) é o vestuário comum os estupros são comuns.

Essa visão que justifica o estupro é comum porque desde muito cedo somos educados a aceitar uma visão de que a mulher não deve ter uma opinião própria, que deve servir aos homens. Que o homem deve ser chefe de família e ter a palavra final. Que em briga de marido e mulher não se interfere, mesmo em casos de agressão. Esses são aspectos que ainda mostram como o machismo presente em diversas situações tem tudo a ver com essa cultura do estupro que torna essa prática banalizada.

Para desconstruir essa visão, precisamos ultrapassar a barreira dos 35% e ousar dialogar com os que inicialmente não tem a mesma opinião que nós. Iniciativas como #NãoMerecoSerEstuprada que encheu a timeline do facebook no dia de ontem com fotos de mulheres afirmando que independente da roupa não merecem ser estupradas são importantissimas. Devemos ocupar as ruas e as redes, para que nossas ideias sejam as ideias da maioria da população. E que numa próxima pesquisa essa porcentagem, no mínimo, se inverta.

Ao mesmo tempo, acompanhamos o descaso do governo de São Paulo com o abuso e assédio sexual no transporte público, principalmente no metrô e nos trens da região metropolitana. No último período, o número de homens flagrados abusando de mulheres é assustador. No ano passado a pesquisa “chega de fiu-fiu” já havia dismistificado a noção de que as mulheres gostam de cantadas em lugares públicos sem a permissão delas.10011500_10152681385952802_1664790875_n

Devemos em conjunto com outros coletivos pensar em iniciativas e pressionar o poder público, as prefeituras e os governos estaduais para que se reverta esta situção. Em seguida apresentamos algumas propostas:

  • Estamos ao lado da campanha “Não passarão” que exige que o Metrô investa sua verba pública de comunicação na maior campanha de prevenção ao abuso sexual já feita em São Paulo.
  • Devemos pressionar para que metrô, trens e ônibus tenham linhas 24h. Mulher não é cinderela!
  • Devemos pressionar para que mulheres possam descer do onibus em qualquer local após às 22h.

Além disso, devemos estar dispostas a manter essa pauta em dia, fazendo uma grande campanha de conscientização contra o assédio sexual no transporte público. Em São Paulo, como parte desta campanha, estamos organizando um debate com Juliana de Faria, organizadora da pesquisa Chega de Fiu-fiu (veja o evento: https://www.facebook.com/events/689176617811443), para encorajar as mulheres a lutar contra o assédio e lançarmos iniciativas concretas que dialoguem com homens e mulheres para darmos um basta na violência contra a mulher.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017