Todo apoio a Mobilização dxs PM/BM do Pará, um chamado para luta

08/abr/2014, 15h38

Existe hoje no Pará, uma greve, chamada de Movimento pelo direito dos Praças da PM do Pará, ou seja, a baixa patente, soldados, cabos e sargentos claramente contra o governo e as altas patentes privilegiadas: os coronéis. Um movimento que desafia a hierarquia e assume o comando, destituindo o poder dos oficiais. E já tomou conta de quase todos os quartéis e batalhões do Estado do Pará.

Os Praças, como se reconhecem, têm com a mobilização adquirido avanços na consciência de classe e muitos já perceberam que são usados pelo Estado como peças da opressão e repressão, debatem a desmilitarização e defendem o direito de todo trabalhador lutar por seus direitos. Nossos companheiros têm feito intervenções como a do Pedro Fonteles do GTN do juntos chamando que façamos greve de soldado, pois somos irmãos trabalhadores e Silvia Giese coordenadora geral do DCE/UFPA falando da necessidade da desmilitarização da PM e ambos sendo aplaudidos fortemente pelos PMs em rebeldia, umas das categorias mais difíceis, pois pode lhes custar a expulsão e/ou prisão por até 20 anos!!!

Quem está disposto a este risco? O 6º BPM em Ananindeua, o 2º maior do Estado está tomado pelos Praças e teve ameaça de invasão pelo CME (Comando de Missões Especiais) na última segunda (07/04), formada pela elite do CHOQUE, ROTAN, COE. Os Praças aquartelados se colocaram em posição estratégica, alguns chorando, mas todos colocando as suas vidas em jogo pela luta, frases como: “morreremos na luta, mas faremos história”, “as coisas mudaram, temos que derrubar a ditadura militar nos quartéis”, “estes regulamentos militares não servem, são da ditadura”, etc. demonstram os saltos na consciência, mesmo com diferente níveis, que a luta produz.

As intervenções do Deputado Estadual Edmilson Rodrigues (Psol), da Unidos pra Lutar, da CONLUTAS, da Intersindical, do sindicato da construção civil, do vereador Fernando Carneiro (Psol), Panfletos do vereador Cléber (Pstu), também são simbólicas e contrastam com a ausência da CUT, PT, PCdoB e as outras centrais pelegas e entreguistas que a muito tempo capitularam e saíram da luta pra ser braço do governo federal e frear o avanço dos movimentos sociais.

Quem for vai constatar: o quartel mais parece um acampamento dos movimentos sociais, organizados em diversas comissões com suas respectivas tarefas, de mobilização, infra-estrutura, segurança e comunicação.

Gostaria de lembrar que todas as revoluções vitoriosas, tiveram adesão das baixas patentes das forças armadas e esta mobilização está claramente no contexto da nova conjuntura do Brasil, recebem influencias das vitoriosas greves dos bombeiros em 2011 no Rio e na Bahia e recentemente dos garis (Rio de janeiro e ABC), rodoviários de Porto Alegre, a PM do Maranhão assim como influenciará outros trabalhadores à luta até a vitória e a conquista de seus direitos.

Diretamente sobre a disputa destes com o governo Jatene podemos interferir quase nada, mas sobre o fortalecimento político desta base, através da nossa solidariedade, para que tenham forças e se sintam apoiados para seguir em frente contra o regime e o sistema, certamente podemos ajudar a fortalecer a disposição de luta e ajuda-los a avançar na compreensão da sociedade de classe que vivemos e a ver de que lado estão os movimentos sociais e seus militantes, portanto podemos muito.

Quem for lá verá que nesta luta estão trabalhadores, homens e mulheres do povo com extensa carga horária, baixa remuneração e sofrem constantes humilhações com o lastimável sentimento de nunca saber se voltam para casa vivos após um dia de trabalho, como dizem eles, nunca saem arriscando 50% da vida e sim toda ela! O mais importante e terem a consciência de que são colocados para reprimir os diversos problemas sociais como principal política do governo e não querem continuar sendo a ‘pata suja’ do Estado como foram e continuam sendo desde a ditadura militar, mas que para isso a vitória desse movimento é fundamental, os próprios soldados ontem afirmaram não agüentam mais a ofensiva contr a criminalidade, pois sabem bem que não é com ofensiva que se resolve e sim com mais educação e condições dignas de vida. Sabem das perseguições terríveis que irão enfrentar após o término deste movimento, contra as novas lideranças desta vanguarda. Por isso chamamos todxs os/as indignadxs a solidarizarem-se e, se possível, para se fazerem presentes, para conhecer e para conversar com estes trabalhadores policiais em luta! FAÇAMOS GREVES DE SOLDADOS, SOMOS IRMÃOS TRABALHADORES! (Hino da Internacional)

Pedrinho Maia, coordenador da Rede Emancipa Belém!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017