Onde está o perigo real da direita?

05/nov/2014, 15h17

*Por Israel Dutra

Ainda que não devemos subestimar a direita que, inflamada, pede intervenção militar, em seus atos na Paulista, precisamos saber quem é o inimigo mais forte e perigoso. Saber contra quem se luta é condição primeira para vencer qualquer batalha.

Os histéricos da paulista capitaneados por Lobão e Bolsonaro Jr são barulhentos. Precisam ser combatidos no terreno das ruas. Denunciados nas redes. Uma visão que disputa a hegemonia do Brasil pós-junho: se vai avançar na luta por mais direitos ou dar espaço para a direita dura se recompor.

Entretanto, já existe uma direita que atua, por vezes silenciosa, mas muito mais perigosa. Ela está presente nos territórios mais pobres do país, armada até os dentes, alicerçada na impunidade e na força física. A direita que representa um perigo real e imediato é aquela que responde pela organização das milicias, no Rio, Belém e em vários outros cantos do Brasil.

A chacina de Belém, nesta madrugada, para além da revolta e dor, revela mais uma vez a face dessa direita armada, organizada na fronteira entre o crime e a lei, com base nas forças policiais e repressivas. Com conexões com a banda podre do poder judiciário e expressões políticas nos legislativos de todas as esferas.
Eles são os que mataram Amarildo, Claudia, DG, Douglas e os dez de Belém. Buscam uma base de massas no descontentamento popular e no desespero das classes médias. Fazem do bordão “bandido bom é bandido morto” seu programa para unir os “cidadãos de bem”.

A polarização do país se expressa, em primeiro lugar, nessa luta. O peso das tarefas democráticas e da mobilização é chave para vencermos. Unir a luta das comunidades com os setores democráticos da sociedade é a chance que temos de contrapor o discurso dos Datenas que justifica a ação dos grupos de extermínio e das frações criminosas da polícia. Uma radiografia do narcotráfico atual mostra também que a relação entre milícias e crime organizado nem sempre é de contradição, por vezes, sendo complementar. A doutrina de “guerra às drogas” é o pano de fundo de toda essa investida contínua contra os pobres e a juventude da periferia, negra e trabalhadora.
Combater sem tréguas os coxinhas e neo integralistas na Paulista é um dever do ativismo. Porém, a disputa mais difícil e mais importante, hoje por hoje, é contra o ovo da serpente do fascismo, nos esquadrões da morte, na chacina de Belém e das novas “Candelárias” que ainda estão por vir. Essa é a batalha mais importante.
Desmilitarizar a PM. Punir e investigar todos envolvidos nesse tipo de crime.

Não podemos deixar passar Belém. Um novembro marcado pelo LUTO. E, a depender de nossos esforços, pela LUTA.

*Israel é sociólogo, membro da Direção Nacional do PSOL e do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos!

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017