Carta ao futuro novo ministro da educação

25/mar/2015, 17h01

Saudações,

Acredito que não começarás bem teu novo emprego. Podes até achar que teu predecessor deixou a casa arrumada, com os cortes bem feitos, mas não é bem assim. Estamos em uma posição contrária nesse momento. De um lado seu governo pedindo “paciência” ao povo e de outro nós, professores e estudantes.

Entenda Ministro, os cortes foram cruéis. Os IFs pelo país todo estão funcionando com um terço do orçamento! O senhor – ou senhora -, imagina perder dois terços do seu orçamento familiar e continuar comprando as mesmas coisas, sustentando a casa da mesma forma? Pois é isso que os IFs tem de fazer: manter o padrão, com um terço do orçamento.

Além disso, é uma hipocrisia sem tamanho o governo proclamar o Brasil uma “Pátria Educadora”, enquanto corta as verbas da educação, ao mesmo tempo que mantêm as grandes fortunas sem taxação (que poderia gerar R$90 bilhões para ser investido em serviços públicos para o povo), os incentivos fiscais para grandes empresas… Ou seja, continuando a governar para o 1%.

Contudo, não queremos apenas que os cortes sejam revertidos, nós queremos mais! Mais bolsas, mais pesquisa, mais verba para eventos e viagens, mais qualidade de ensino. E o estudo não é só a sala de aula, ministro. Precisamos de classes e cadeiras, de professores e livros. Mas também precisamos de bolsas para alimentação, moradia e material. Precisamos de um passe livre estudantil efetivo e também de linhas de ônibus – não sei se o senhor sabe, mas a maioria dos campi são fora dos centros. Precisamos de condições para que nossas representações estudantis existam, e sejam ouvidas dentro das instituições. Precisamos de RU’s, precisamos de transporte escolar, de bibliotecas, quadras de esporte. Precisamos, para ter condições dignas de estudo.

Mas o que desde já deves saber, é que nós iremos cobrar. Aliás, o senhor deves saber quem foi Edson Luís, não? Edson Luís de Lima Souto, um estudante secundarista como nós. Morto em 1968 pelo regime civil-militar e que se tornou um símbolo para nós. E é sob seu signo que nesse dia 26 nos organizamos. Porque não seremos mais mortos, seja essa morte de fato ou simbólica, representada pela morte de nossas revindicações.

Portanto Senhor ministro, dia 26 estaremos na rua! Para cobrar o que queremos e sonhamos, e caso o seu governo seguir nos dando as costas, saiba que o terceiro turno estará em nossas mãos.

Estudantes do Instituto Federal Rio Grande do Sul – Câmpus Restinga, Bagé e Sapucaia

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017