Do jovem negro ao Black Guy: nenhum racismo passará batido

04/mar/2015, 00h14

Cassiano Figueiredo
O racismo ao redor do mundo todo nunca esteve tão evidente e ao mesmo tempo nunca esteve tão covarde, tão negado pelos próprios racistas ou pelas instituições. Nos Estados Unidos, ainda no primeiro trimestre do ano, mais de um caso de execução cruel e chocante protagonizaram as manchetes de noticiários ao redor do mundo todo, inclusive com muito debate nas redes sociais.
Em janeiro, em Nova Jersey, policiais foram flagrados executado fria e cruelmente um jovem negro que descia de um carro com as mãos levantadas. Ainda não há notícias de que os criminosos (os policiais) tenham sido punidos. Recentemente, dias após os negros e negras dos EUA e do mundo lembrarem com pesar do dia do assassinato de Malcolm X (21/02), mas com esperança de seu legado combativo em defesa da população negra e anticapitalista, mais um negro, morador de rua foi eliminado friamente em Los Angeles, à luz do dia, em frente várias câmeras e pessoas. O homem (chamado pelos amigos de Afrika) estava no chão, cercado de policiais, que tinham à disposição armamento não letal , mas que no entanto dispararam mais de cinco vezes a queima roupa. Uma execução cruel.
Uma sentença a um homem que cometeu o crime de nascer preto e pobre. E os policiais norte americanos continuam a fazer esse tipo de coisa pois sabem que gozam de um respaldo imenso. Matar um negro nos EUA, independente das circunstâncias, nunca gera problema aos policiais. A prova são os policiais que mataram Mike Brown e sequer foram a júri. Foram inocentados previamente.
E não distante dessa realidade, podemos colocar o Brasil. Por exemplo, no estado de São Paulo, o número de mortos pela PM até fevereiro já o maior número dos últimos 11 anos. Só no ano de 2014, a PM paulista cometeu 343 assassinatos. Cerca de 80% desses assassinatos têm vítimas negras. Conforme indica o Gevac (Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos) da UFSCar, nosso índice de possibilidade de morta violenta pela polícia é três vezes maior do que o de qualquer jovem branco.
Por isso que a juventude negra de lá e de cá deve assumir o papel mais subversivo possível: negras e negros devem assumir o papel de resistir! Toda negra e todo negro deve fazer todo esforço para não permitir que lhe seja imposta violência, humilhação ou qualquer injustiça racista. Devemos nos organizar para cobrar o fim das injustiças e da impunidade que goza todo tipo de violência racista.
Devemos cobrar uma segurança pública que não treine tiro ao alvo com a nossa pele. Devemos cobrar o nosso direito de viver e de respirar. Ninguém vai ser deixado pra trás, nenhum negro, nenhuma negra será vítima de uma violência injusta sem ser lembrado ou lembrada. O racismo não vai passar sem ser notado, denunciado e combatido, independente do quanto neguem que ele existe.
Prestamos nossa solidariedade a toda comunidade negra norte americana que desde janeiro está se mobilizando nos EUA contra as injustiças da violência do estado racista, e apontamos que de cá vamos fortalecer nossas lutas pelo fim dos autos de resistência, pela desmilitarização e por mais direitos.
Cassiano Figueiredo é militante do Juntos! Negras e Negros em Ribeirão Preto