Todas somos vítimas!

26/mar/2015, 07h33

*Ana Karla

 

Ontem, quando acordei, descobri que o assunto do momento nas redes sociais era um vídeo que havia sido gravado na noite anterior durante uma festa. No vídeo, dois jovens praticavam sexo no banheiro do local onde ocorreu o evento, em uma sociedade livre e sem privilégio para um gênero e opressão para o outro essa situação seria normal, afinal sexo é uma prática comum entre os seres humanos desde que essa espécie existe. Porém, na sociedade em que vivemos, na qual prevalece a cultura patriarcal, essa situação se torna um fenômeno de discriminação.
Esse, obviamente, não é um caso isolado. Nos últimos anos, com a glória das redes sociais tiveram “sucesso” também novas formas de opressão. No caso das opressões de gênero, o machismo ganhou mais uma forma de se disseminar através do chamado revenge porn. O revenge porn é a divulgação de fotos e/ou vídeos da sua intimidade pelo parceiro ou pela parceira sem sua autorização – ressaltando que esta é uma ação criminosa. Na maioria dos casos a divulgação é feita após términos de relacionamentos, mas o vídeo de Sobral também se caracteriza como tal.
Para além da perversidade de quem publica, a mulher em questão exposta a milhares e porque não milhões de pessoas sem seu consentimento, será hostilizada, sofrerá humilhações que trarão diversos problemas psicológicos e sociais, que já levaram a vítimas fatais.
Essas reações são frutos do machismo que somos vítimas e que até mesmo reproduzimos, pois aprendemos quando criança, por exemplo, que mulher só faz sexo para satisfazer o homem e para reproduzir, mas não, não é isso, nós mulheres fazemos sexo porque também gostamos de sexo, porque também queremos sentir prazer, sim, isso mesmo, MULHERES TAMBÉM FAZEM SEXO!
Todas essas hostilizações, todas essas opressões que a mulher em questão está sofrendo de forma mais atenuada hoje, também é um reflexo das opressões sofridas todos os dias, mas às vezes estão tão enraizadas que tentam nos passar como algo natural, tentam nos dizer diariamente que é natural não termos autoridade sobre o nosso próprio corpo, sobre nossas escolhas, e na menor das oportunidades nos é demonstrado o quanto ainda sofremos pelo simples fato de sermos mulheres.
É através do feminicídio, da violência domestica, dos casos de revenge porn, através das mais diversas formas de opressão de gênero que tentam nos calar, mas devemos fazer exatamente o contrario: levantar a voz e mostrar para a sociedade que também existimos, e não apenas que devemos nos dar ao respeito, mas o respeito também tem que ser nos dado.
Ontem foi uma exposição de uma mulher por mim desconhecida, mas amanhã pode ser de uma amiga, uma prima, uma irmã ou até mesmo minha, pois numa sociedade onde uma mulher é hostilizada e oprimida, todas nós mulheres também somos!
Enquanto isso acontecer, nós temos que nos fazer presentes para levantarmos a nossa voz e lutarmos contra todas essas formas de opressão até que elas tenham fim.

Ana Karla é diretora do DCE-UeVA e militante do Juntas!

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