POSICIONAMENTO DO JUNTOS SOBRE À CONSULTA PARA DIREÇÃO DO INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS DA UNICAMP
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POSICIONAMENTO DO JUNTOS SOBRE À CONSULTA PARA DIREÇÃO DO INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS DA UNICAMP

Nos dias 23 e 24 de junho acontecem a consulta para a nova diretoria do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. O Juntos quer refletir em conjunto com os estudantes sobre como vemos todo o processo de eleição.

Estamos em meio a uma crise profunda, que combina elementos sociais, políticos, econômicos e sanitários. Com a pandemia prolongada, e junto dela o ensino remoto, cada vez mais se expõe as desigualdades que a educação vem enfrentando há anos. A preocupação da continuidade do ensino remoto ou híbrido para além desse período também está no horizonte dos estudantes e profissionais da educação. 

Desde o início do governo Bolsonaro, uma série de ataques às Ciências Humanas, à autonomia universitária, à liberdade de cátedra – com perseguições ideológicas a professores e professoras – e muitas outras tentativas de desmoralizar as universidades e precarizar ainda mais a educação foram vistas. E isso não é à toa, mas sim porque as universidades públicas são polos críticos que resistem bravamente a tentativa de Bolsonaro de destruir o conhecimento e a sociedade.

Ao longo da história, o movimento estudantil sempre teve um papel determinante nas disputas dos rumos da sociedade e, mais recentemente, conquistando em parceria ao movimento negro as cotas sociais e raciais. Com a conquista, o perfil dos estudantes que compõem as universidades vem se transformando e as demandas do povo passam a ser as demandas do conjunto do movimento estudantil. 

Sendo assim, devemos tornar centro das nossas reivindicações a defesa de um modelo de investimentos e de universidade que seja de fato inclusiva, ampliando a prioridade da permanência estudantil. É preciso uma universidade coerente com o crescimento no número de estudantes de escolas públicas, negros e indígenas que hoje a compõe – e devemos lutar para seguir expandindo. Permanência é auxílio financeiro, moradia, acesso a saúde e segurança garantidos pela universidade. Nossos direitos são frutos de conquistas históricas, que devemos seguir lutando para manter e fazer avançar.

CONSULTA PARA NOVA DIREÇÃO DO IFCH 

Nos dias 23 e 24 de junho acontecem a consulta para a nova diretoria do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) da Unicamp e é nesse contexto em que está posta a candidatura de uma chapa única composta pela Profª. Andréia Galvão e o Prof. Michel Nicolau Netto, professores do departamento de Ciência Política e Sociologia. A chapa tem um programa com muitos elementos positivos e se mostrou aberta ao diálogo com a comunidade. Mas para além de definir o apoio ou não, gostaríamos de refletir em conjunto com os estudantes sobre como vemos todo o processo.

Destacamos que a consulta não se trata de uma eleição, ou seja, o resultado dos votos dos estudantes, bem como dos docentes e técnico-administrativos, não são definitivos para essa escolha. Para a definição da nova direção pelos próximos 4 anos, o reitor decidirá se acatará ou não o que foi indicado na consulta à comunidade. Diferente do que ocorre na consulta para a reitoria, a consulta para a direção das faculdades e institutos tem o mesmo peso para os votos dos diferentes setores. Mas ainda assim, ambos processos exemplificam a ainda insuficiente estrutura democrática das universidades públicas, nos relembrando da histórica reivindicação do movimento estudantil por maior participação nas decisões institucionais.

Apesar das limitações, nós do Juntos acreditamos que os estudantes devem participar ativamente deste momento da universidade, entendendo que a consulta é um momento privilegiado, para o movimento estudantil analisar o programa apresentado, e elaborar uma posição própria, discutindo que projeto de Universidade queremos e como avançamos no debate da democracia universitária.

Levantando algumas demandas fundamentais para os estudantes apresentarem à chapa, acreditamos ser preciso ir contra a lógica produtivista e elitista que estruturam nossa universidade. Para isso, o IFCH deve ser um polo fortalecido da defesa do investimento público na educação e ciência, ampliação das políticas de cotas, como as cotas trans, e das políticas de permanência estudantil. 

Pensando em favorecer a formação, mas também a permanência dos estudantes, é fundamental também pensar na manutenção e ampliação das oportunidades de bolsas para pesquisa e extensão, assim como uma forma de instruir os novos estudantes, ingressados na pandemia, como ter acesso a essas oportunidades.

Esperamos que assumindo o instituto a nova direção não adote uma política que esvazie os espaços da universidade e aumente a insegurança dentro do campus, recusando o apoio e a construção de espaços culturais, de socialização e convivência para a comunidade interna e da cidade que frequentam o campus. Entendemos que nossa formação não se restringe apenas às salas de aula e biblioteca, mas também nos espaços em que os próprios estudantes possam se integrar, socializar, discutir, se expressar e se divertir. A luta pela cantina e pelo retorno das festas ao IFCH, por exemplo, precisa estar no horizonte para melhorar o convívio e a segurança da comunidade nas proximidades do instituto.

É de suma importância que o movimento estudantil exija uma posição independente do IFCH frente a reitoria de Tom Zé, e seja firme na defesa de um projeto de universidade que seja público, gratuito, cultural e socialmente referenciado. Vemos a ciência como uma atividade de cunho social. Não podemos nos submeter aos interesses do capital privado, ou deixar que a precarização pela falta de investimento em capital humano siga afetando a infraestrutura do instituto, como ocorreu recentemente com a extinção do departamento de demografia.

Acreditando que os Prof. Andréia Galvão e Michel estão abertos para a construção da gestão do instituto de forma conjunta a comunidade, e podem dar espaço para os estudantes levantarem estas necessidades citadas, e outras, no debate cotidiano. Por isso, nós do Juntos votaremos favoráveis à chapa, e estaremos em constante mobilização para construção de uma universidade cada vez mais próxima das necessidade da maioria do povo. Inclusive para superação da grave crise que atravessa o nosso país, cuja qual, a derrota do governo Bolsonaro precisa ser a tarefa número um.


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