O que aprendemos com o Wikileaks?

15/abr/2011, 00h17

Tiago Madeira

Certamente não é surpresa a política imperialista estadounidense. Então qual é a novidade?

O Wikileaks e seu porta-voz, Julian Assange, vêm atuando na publicação de documentos secretos pela internet desde o ano de 2006.

Os fatos recentes que lhes deram ampla notoriedade foram a divulgação de documentos militares norte-americanos, bem como uma série de telegramas secretos enviados pelas embaixadas dos Estados Unidos ao governo do país, explicitando a política imperialista norte-americana em relação aos demais países do mundo.

Esses fatos causaram reações imediatas do imperialismo em perseguição a Assange. No final do ano passado, a pedido da justiça sueca, a Interpol emitiu uma polêmica notificação vermelha (ordem internacional de prisão) contra ele, acusando-o de crimes sexuais. Poucos dias depois, o site saiu do ar a pedido de membros do congresso americano. Foi ainda bloqueado o domínio wikileaks.org. Na mesma época, Paypal, Visa e Mastercard pararam de aceitar doações para o Wikileaks (embora ambos ainda aceitem doações para o Ku Klux Klan).

Pessoas do mundo inteiro se organizaram em defesa do Wikileaks e de Assange: mais de mil servidores passaram a hospedar cópias do site e tornou-se na prática impossível tirar as informações da rede; milhões de computadores participaram da Operação Payback, que deixou instável durante horas os sites das companhias que pararam de aceitar doações ao Wikileaks; o governo boliviano criou um site onde divulga e traduz os telegramas sobre o país; diversos outros sites foram criados para espalhar informação e contrainformação. Por maior que seja o poder político e bélico dos EUA, nesta batalha eles perderam o controle.

Se, por um lado, o governo norte-americano pode centralizar as informações na internet através do controle dos domínios (endereços de site), por outro o caso Wikileaks – e fatos recentes do contexto internacional – demonstrou que a mobilização do povo na rede foi capaz de manter as informações vazadas no ar e abalar a estrutura de grandes empresas e até mesmo de governos. Isso prova que a internet é um espaço em disputa, e são inúmeras as possibilidades de construção de espaços de resistência e de luta. Cabe a nós, da juventude, tomarmos a frente desses processos e aproveitarmos cada vez mais estas possibilidades!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017