O que está por trás da renúncia de Dominique Strauss-Kahn?

29/jun/2011, 12h32

Giulia Tadini*

@giugiutadini

A renúncia de Dominique Strauss-Kahn (DSK), antigo diretor-gerente do FMI, em maio teve como principal elemento sua prisão após acusação de abuso sexual e tentativa de estupro por uma camareira de um hotel de Manhattan. Além da renúncia, o caso também arruinou sua candidatura pelo Partido Socialista Francês à presidência.

Camareiras fazem manifestação diante da Corte contra DSK, ex-FMI, acusado de estupro

Strauss-Kahn, chefe da maior instituição financeira mundial não esperava que uma camareira pudesse resistir ao seu “charme” e assim usou de força e violência. De um lado um político europeu poderoso e branco. De outro uma trabalhadora pobre e negra, mãe-solteira, de uma ex-colônia francesa da África (Guiné).

Em sua administração, o FMI impôs os cortes mais profundos nas áreas sociais na Espanha, Grécia e Portugal. Como resultado esses países estão com taxas de desemprego altíssimas, cortes nos salários e aumento da idade das aposentadorias. E os partidos de centro-esquerda, assimilados ao regime, se alternam no poder com os partidos de direita, levando os planos de austeridade econômica adiante.

Mas assim como @s trabalhadoras/res e desempregad@s estão realizando greves gerais e manifestações contra os programas de austeridade impostas pelo FMI, e resistindo contra a repressão policial dos governos. A camareira também não se calou contra a violência e denunciou DSK. Ela foi capaz de explicar o caráter criminoso atrás de uma imagem respeitável, manchando sua imagem no público geral.

James Petras, em artigo do “Rebelión” afirma: “Muitos milhões de mulheres trabalhadoras e camponesas na Indochina e na Argélia, e seus descendentes que sofreram humilhação semelhante durante a administração colonial francesa, devem se sentir vingados agora pelo simples ato de relato de uma camareira da Guiné”. Mas isso não basta, assim como as camareiras que protestavam em Nova Iorque, também esperamos que DSK seja punido.

Os casos de denuncias de assédio sexual nos hotéis de luxo em Nova Iorque não são raros. Um tradicional hotel decidiu equipar todas as camareiras com um “botão de pânico”, que deve funcionar como um alarme em caso de abuso sexual. Resultado dos casos de abuso sexual e da pressão do sindicato da categoria para exigir mais proteção às profissionais.

As denúncias feitas pelas camareiras contra a violência sexual exercida por homens poderosos, como Dominique Strauss-Kahn e Mahmud Abdel Salam Omar (ex-diretor do Banco de Alexandria), levou a mobilização de um setor da sociedade que normalmente é invisível e garantiu maior segurança no trabalho.

*Giulia Tadini é militante do Juntos! e diretora do DCE-Livre da USP

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