10% do PIB para educação: a primeira batalha para a Oposição de Esquerda da UNE

29/jul/2011, 12h43

Nathalie Drumond e Rodolfo Mohr*

Dentro de poucos dias a nova diretoria da UNE, eleita no último dia 17 em Goiânia, será empossada. A Oposição de Esquerda – a qual reúne diversos coletivos do movimento estudantil como o Juntos!, o Rompendo Amarras, Vamos à Luta, Contraponto, Levante, Viramundo, Rebele-se e nos quais se organizam os militantes da juventude do PSOL – assumirá neste novo mandato mais responsabilidades. Nossa bancada cresceu em delegados e em presença política. Pautamos o 52º Congresso da UNE com nossa firme posição contra o novo Código Florestal e tomando como exemplo a luta dos indignados espanhóis.

Conformamos uma chapa que obteve uma expressiva votação. Cerca de 20% dos delegados votaram por UNE livre e independente, que não seja meramente uma juventude do Planalto. A partir de então, queremos aumentar a fração da UNE que irá potencializar as lutas da juventude e da educação nas ruas de todo o Brasil. Para nós, essa disputa começa na luta pelos 10% do PIB para Educação.

10% PIB: um discurso consensual, duas práticas vigentes

Uma das votações consensuais no 52º Congresso da UNE foi a defesa dos 10% do PIB para Educação. Esta é uma bandeira histórica do movimento de educação no que diz respeito ao financiamento público. Lá se vão décadas em que as entidades e movimentos apresentam à sociedade e ao governo a necessidade de multiplicar o orçamento da Educação.

Os desafios são enormes: erradicação do analfabetismo, universalização com qualidade da educação básica, expansão imediata da Universidade Pública.

Mas como colocamos isso em prática? De um lado, a direção majoritária da UNE, ligada ao governismo, não tem a independência necessária para dar essa disputa. Estão atrelados ao projeto de Dilma, que compromete quase metade do orçamento da União ao pagamento de títulos da dívida pública aos banqueiros. É um verdadeiro escândalo. O “espetáculo do crescimento” tornou o “andar de cima” de nossa pirâmide ainda mais abastado, enquanto Dilma passou a tesoura em R$ 50 bilhões de reais das áreas sociais.

Está nas mãos da Oposição de Esquerda da UNE a possibilidade de encampar em todas as Universidades brasileiras esta disputa. Na paralisia da direção majoritária, temos que construir Calouradas e Jornadas de Luta em todos os estados. Neste semestre será votado o Orçamento da União de 2012, portanto temos uma disputa real a travar do em defesa dos 10% do PIB.

ANEL divide forças e fortalece a burocracia estudantil na UNE

O bloco de oposição de esquerda da UNE obteve o seu maior resultado desde 2003. Para falar em números, faltaram apenas 12 votos para conquistar a Secretaria Geral da União Nacional dos Estudantes.

Para os milhares de estudantes presentes no Congresso houve uma voz destoante que ousou romper a apatia e o imobilismo. Fomos uma bancada com mais 1200 jovens contra o Código (Anti)Florestal do ex-presidente da UNE Aldo Rebelo, por plebiscito popular em defesa dos 10% do PIB para a Educação e por uma UNE radicalmente democrática, sem rabo preso e à serviço dos interesses da maioria dos estudantes. A oposição de esquerda unificada deu uma grande demonstração em Goiânia da força da juventude indignada do Brasil.

Ao romper com a UNE e privilegiando uma política isolacionista e auto-proclamatória, a juventude do PSTU divide forças no movimento estudantil. E ao construir a ANEL fortaleceu a UJS como maioria na UNE. Imaginem se os cerca de mil estudantes do Congresso da ANEL estivessem, na verdade, somando forças à bancada de oposição de esquerda neste último Conune. A voz da juventude indignada teria, com certeza, ecoado muito mais forte e estaríamos perto de alterar a correlação de forças dentro da UNE.

Acreditamos que a juventude do PSTU e aqueles que acreditam na ANEL como alternativa possam ainda rever sua posição e voltar a travar grandes e vitoriosas batalhas junto à oposição de esquerda nos Congressos da UNE. O 52º Conune mostrou que a unidade da oposição fez valer a máxima de nossos colegas espanhóis: “se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir”. E assim seguiremos, pois juntos somos mais fortes.

Uma grande jornada em agosto que prepare o 15 de outubro

Após a vitoriosa intervenção da Oposição de Esquerda no 52º Congresso da UNE, temos um importante calendário de mobilizações a cumprir. Além de um plebiscito popular, a campanha pelos 10% do PIB para Educação irá para as ruas na semana de 15 a 19 de agosto. Devemos articular entre todo o movimento estudantil e demais entidades, precisamos conectar a luta dos 10% com a necessidade real de cada cidade, escola e Universidade. Devemos materializar a campanha em questões concretas que nos conectem também ao novo momento que o mundo vive.

As mobilizações de rua estão diariamente no noticiário. Espanha, Grécia, Chile. As revoluções do norte da África. O ano de 2011 tem visto mobilizações se espalharem mundo afora. Aqui no Brasil, apesar de não estarmos no mesmo compasso, é necessário construir as pontes necessárias. Outro futuro está sendo disputado nas Praças do planeta.

Dia 15 de outubro é dia de acampamento de praças em todo mundo. A manifestação foi convocada pelo movimento Democracia Real Ya da Espanha. Neste dia se comemora o dia do professor no Brasil, nada melhor que unirmos nossas pautas e marcar a maior mobilização coletiva da história da juventude espalhada pelo mundo.

*Nathalie Drumond (diretora do DCE-Livre da USP) e Rodolfo Mohr (diretor do DCE da UFRGS) são militantes do Juntos!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017