Dia da visibilidade lésbica: contra a violência machista e lesbofóbica dos estupros corretivos

29/ago/2011, 23h14

É difícil pra uma lésbica da Cidade do Cabo, Africa do Sul, ter orgulho de ser ela mesma por um simples motivo: sua visibilidade pode virar um calvário. Nessa cidade, o número de estupros “corretivos” chegou a mais de 10 lésbicas por semana. Os estupradores acreditam que assim estão fazendo um bem a essas mulheres que não conheceram homens de verdade, no caso, eles próprios.

Como não lembrar do clássico de Raul Seixas nessas horas? “Rock das Aranhas” representava a perplexidade masculina diante de uma relação de prazer que não contava com sua participação – símbolo do que é tido como “correto”: “Soltei a cobra/E ela foi direto/Foi pro meio das aranha/Prá mostrar como é/Que é certo/Cobra com aranha/É que dá pé/Aranha com aranha/Sempre deu jacaré…”. Todo discurso de liberdade pregado pelo cantor acaba caindo por terra quando o tema é diversidade sexual, mas o que mais assusta é que a letra da música é de mais de 30 anos atrás e a mentalidade da nossa sociedade pouco mudou (assim como pouquíssimas políticas públicas foram feitas para estimular essa mudança).

Ter orgulho do que se é não deveria ser motivo de violência, mas mulheres lésbicas são violentadas por dois motivos: serem mulheres e terem orientação sexual diversa das demais mulheres – ou seja, admitirem diante da sociedade que é possível ter prazer sem um falo masculino, que é possível ser mulher sem ser apenas procriadora e, principalmente, que é possível não se deixar oprimir. Necessitamos de uma lei que identifique a homofobia como crime, como é a PLC 122, para que os direitos humanos não sejam diariamente atacados – seja na prática de estupros coletivos, seja nas agressões com pedras e lâmpadas – como aconteceu novamente na Av. Paulista, seja nos assassinatos homo e lesbofóbicos que se multiplicam e não são identificados.

A luta das mulheres lésbicas é para serem visíveis: no respeito à diversidade, no direito à saúde pública, na segurança de não ser violentada fisica e psicologicamente, na certeza de que carregamos a liberdade não só para nós, mas para toda a sociedade.