Mulheres do mundo todo vão às ruas no dia 15 de Outubro

21/set/2011, 14h45

* Sâmia Bomfim

Em um ano que a juventude e @s trabalhadores mostram que em resposta à indignação com as injustiças sociais devemos ir às ruas e praças para conquistarmos direitos e mais democracia, está sendo organizado o 15-O, um ato internacional no dia 15 de outubro, onde indignad@s de todo o mundo estarão juntos para clamar por uma sociedade diferente. Nós, mulheres, estaremos em luta mais uma vez para denunciar a cruel relação entre o sistema injusto e desigual contra o qual lutamos e as diversas formas de violência que diariamente sofremos.

As Marchas das Vadias foram nosso grito em 2011 pelo direito de sermos livres. A partir da primeira Slutwalk, em Toronto, no Canadá, em resposta a um policial que dizia aconselhar as mulheres a não se vestirem como vadias para não serem estupradas, mulheres de todo o mundo se apoderaram das ruas para dar expressão à voz daquelas que lutam por direitos e pela transformação da sociedade e que não admitem ser responsabilizadas pelos estupros e diversas formas de violência que recebem dos homens. Tomamos as ruas e mostramos a atualidade da luta feminista na denúncia da mercantilização de nossos corpos e pudemos celebrar espaços que deram visibilidade às mulheres como sujeitos políticos, contra a lógica que naturaliza o reconhecimento dos espaços públicos e políticos como masculinos. Foram milhares de marchas pelo mundo todo.

Este grito se fez em uma época que orgulha a todas as mulheres em luta, pois mostramos em todos os cantos do mundo que nosso real papel é o de protagonistas entre os que não se calam e que transformam a sociedade. No Brasil, durante o 52° Conune, as mulheres, que já cumpriam papéis centrais nas comissões e megafones de todo o Congresso, entoaram palavras de ordem e chamaram toda a bancada da Oposição de Esquerda a tirar as camisas e clamar pelos direitos das mulheres, dando exemplo de luta aos milhares de estudantes brasileiros presentes. No Chile, jovens mulheres dirigem os estudantes e mães estão lado a lado com seus filhos nas ruas e ocupações de escolas pelo fim de um sistema educacional mercantil. Na primavera árabe, foram as mulheres, muçulmanas, comumente identificadas como as que são confinadas às burcas e ao ambiente doméstico, que puxaram o coro contra as ditaduras sobre as mulheres e o povo. Em todo o mundo vemos a concretização da luta das mulheres, na denúncia do machismo e na conquista de espaços políticos. Mas ainda precisamos avançar.

No dia 15 de outubro, estaremos ao lado de lutadores de todo o mundo, unidos por diferentes pautas, erguendo a bandeira da Democracia Real Já! por uma sociedade que defenda os interesses do povo e d@s oprimid@s e, Juntas!, soltaremos novamente o grito de quem não se cala diante das mortes e atos de violência que sofrem milhares de mulheres todos os dias. A exemplo das Marchas das Vadias e das ruas do mundo que testemunharam a nossa atuação política, mostraremos como a luta das mulheres é necessária para mudar o mundo.

* Sâmia Bomfim é militante do Juntos! e estudante de Letras da USP