Terrorismo nunca mais!

11/set/2011, 17h57

Guilherme de Oliveira, do site megafonadores.blogspot.com

‘’É preciso a coragem daqueles que ousaram repensar o mundo como um projeto a serviço do homem.’’ Salvador Allende
Há 38 anos atrás milhares de latino-americanos lamentaram ao ver seu sonho de um governo socialista golpeado por conta de mais um triste atentado terrorista norte-americano. O país que elegera Salvador Allende, da Unidade Popular para o Poder Popular, no dia 4 de setembro de 1971, marcou a história como o primeiro a eleger um presidente socialista pacificamente. A burguesia chilena e o imperialismo norte-americano não aceitaram a perda de suas fortunas e também marcaram a história com um duro golpe, seguido de uma das ditaduras mais sangrentas da história.
Em 1971, durante a campanha de Allende, milhares de pessoas se somaram em um movimento cultural e político composto pelos mais diversos setores da sociedade. A juventude ouviu seu candidato dizer que ‘’ ser jovem e não ser revolucionário é quase uma contradição biológica’’ e tomou as ruas para eleger aquele que pretendia acabar com a desigualdade social. No dia 11 de julho de 1971, Allende já presidente declara a estatização do cobre chileno e a independência econômica que significa a independência política. Uma das maiores reservas de cobre do mundo foi entregue para as mãos do povo e seu lucro deixou de ser carros importados nas garagens de americanos gordos para ser comida na mesa de crianças desnutridas. A velha ordem latifundiária de mais de 400 anos teve fim com o governo popular que expropriou mais de 4.400 latifúndios que somavam mais de 6,4 milhões de hectares. O povo começava a escrever sua própria historia e a administrar suas riquezas.
Em diversos países da América Latina começavam os golpes militares, como no Brasil em 1964. Aqueles que ousavam lutar e combater as injustiças eram presos, torturados e assassinados. Com a luta armada e os seqüestros de embaixadores, centenas de presos políticos foram soltos e banidos do território brasileiro. Os companheiros chilenos não hesitaram em receber e curar as feridas dos nossos lutadores. O então comandante em chefe Fidel Castro visitou o Chile em 1972 e afirmou ‘’se perguntassem a mim o que está ocorrendo no Chile, sinceramente, eu lhes diria que no Chile está ocorrendo um processo revolucionário. Um processo não é ainda uma revolução, um processo é um caminho; um processo é uma fase que se inicia.”.
A solidariedade e o fortalecimento da esquerda latino-americana não foram tolerados pela burguesia nacional e o imperialismo yanke. Os proprietários chilenos estocaram alimentos e mantimentos e os Estados Unidos bloqueou, como em Cuba, o mercado econômico exterior. O modelo de socialismo chileno era uma ameaça a ordem vigente que precisava ser banido.
“Não vejo porque temos de esperar e permitir que um país se torne comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo’’ afirmou o então chefe do Departamento de Estado no governo de Richard Nixon, Henry Kissinger. No dia 11 de setembro de 1973, tanques ocuparam as ruas e aviões bombardearam o palácio de La Moneda instaurando o terrorismo que durou 17 anos. Cerca de 60 mil pessoas foram mortas em um país com 10 milhões de habitantes, o exército não hesitou em impor a ordem do assassinato e da tortura. Com uma parceria sanguinária, Pinochet e o governo yanke criaram a Operação Condor com o intuito de exterminar o movimento revolucionário latino-americano. Milhares de militantes foram assassinados e até hoje encontram-se desaparecidos.
A abertura econômica sem limites ao capital estrangeiro resultou em um dos países mais desiguais do continente onde nenhum estudante tem direito a educação gratuita e nenhum trabalhador tem direito a um plano de previdência gratuito. Em 2011 os jovens voltaram às ruas e ocuparam centenas de escolas e universidades em defesa da educação publica. As manifestações continuam e o governo do direitista Piñera, que detém uma fortuna de US$ 2,4 bilhões, é rechaçado por mais de 80% da população.
‘’Por estes mortos, nossos mortos, peço castigo.
Para os que salpicaram a pátria de sangue, peço castigo.
Para o verdugo que ordenou esta morte, peço castigo.
Para o traidor que ascendeu sobre o crime, peço castigo.
Para o que deu a ordem de agonia, peço castigo.
Para os que defenderam este crime, peço castigo.
Não quero que me dêem a mão empapada de nosso sangue.
Peço castigo.
Não vos quero como embaixadores, tampouco em casa tranquilos, quero ver-vos aqui julgados, nesta praça, neste lugar.
Quero castigo.’’
Pablo Neruda

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