Juntos ao redor do mundo em defesa da Amazônia: Pare Belo Monte!

09/out/2011, 18h18

Por Anderson Castro*

“Esse território é nosso, o rio é nosso! Quem tem que pedir algo a nós são eles, e a eles cabe a garantia dos nossos direitos, a efetivação das políticas públicas e não transformar tudo isso a uma condição desrespeitosa para legitimar estes grandes empreendimentos de destruição.
Vamos resistir minha gente! Vamos fazer valer a nossa voz!”
Sheyla Juruna**

A resistência à construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte no rio Xingu (Altamira-PA) cresce no sentido em que aumenta a pressão do governo Federal para início das obras.

Neste momento retroescavadeiras e outros maquinários juntamente com a guarda nacional estão na região para tentar dar início ao processo de supressão de vegetação no local que pretendem utilizar, caso consigam, como canteiro de obras para a barragem.

A proposta de levar desenvolvimento para a região Amazônica é antigo, o que não passa de enrolação, pois o que predomina é o enorme e incansável desejo de explorar os recursos naturais com o objetivo de obter mais riquezas para o explorador que neste caso em especial são as empreiteiras que, em 2010, foi o grupo empresarial que em maior parte financiou a campanha eleitoral de Dilma a presidência da República.

Cientistas, ambientalistas, procuradores da república e jovens indignados de todo mundo levantam uma série de questionamentos sobre a viabilidade da obra, partindo da discussão que gira em torno dos impactos ambientais chegando a discutir a real necessidade do empreendimento a partir da apresentação de outros mecanismos de geração de energia com menor impacto ao meio ambiente, entre eles a utilização da energia eólica, solar e da biomassa.
No começo do ano a Organização dos Estados Americanos (OEA), por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), recomendou ao governo brasileiro que suspendesse a construção da usina. Recomendação que não foi respeitada pela presidente Dilma, comandante do “bonde das empreiteiras”, principais interessadas na obra. Para Além da OEA outras entidades como a Anistia Internacional e a Amazon Watch assumem postura crítica a obra.

Engana-se quem acredita que a produção de energia por meio de hidrelétricas é menos poluente. Segundo o artigo: HIDRELÉTRICAS COMO “FÁBRICAS DE METANO”: O PAPEL DOS RESERVATÓRIOS EM ÁREAS DE FLORESTA TROPICAL NA EMISSÃO DE GASES DE EFEITO ESTUFA de Philip Fearnside do Instituto Nacional Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus-AM:

“Reservatórios em áreas tropicais, como a Amazônia, (…) tem grandes áreas (…) onde a vegetação herbácea, de fácil decomposição, cresce rapidamente. Esta vegetação se decompõe a cada ano no fundo do reservatório quando o nível d’agua sobe, produzindo metano. O metano oriundo da vegetação (…). As turbinas e vertedouros puxam água (…) da barreira de estratificação por temperatura que isola a água do fundo do reservatório, rica em metano, da camada superficial que está em contato com o ar. Quando a água do fundo emerge das turbinas e dos vertedouros, grande parte da sua carga de metano dissolvido é liberada para a atmosfera. O gás carbônico oriundo da decomposição da parte superior das árvores da floresta inundada, que fica acima da lamina d’agua, representa outra fonte significativa de emissão de gás de efeito estufa nos primeiros anos depois da formação do reservatório.”

Sendo assim, é derrubado o argumento de que a usina em questão será pouco poluente, caso construída.

Outro aspecto importante de ressaltar nesse artigo refere a mudanças significativas que vem ocorrendo em Altamira. Segundo Rodolfo Salm (professor da UFPA – Campus Altamira), o valor do aluguel aumentou cerca de 400% em um ano, acompanhado de um elevado crescimento populacional que, pela falta de estrutura da cidade para receber os novos moradores, leva ao surgimento de inúmeras ocupações urbanas. O aumento da violência passa a ser rotina e o noticiário local já relata casos de sequestro relâmpago, que se agravam pela falta de investimento em segurança para a população e pelas péssimas condições de saneamento, educação e saúde públicos, que afeta em especial a população mais pobre.

Belo Monte será financiada com dinheiro oriundo de impostos que eu e você pagamos. Ao todo o BNDES liberou 300 bilhões de reais para a obra, cobrando das empreiteiras juros de apenas 4% ao ano. Um grande absurdo, pois esse dinheiro poderia ser utilizado para construir mais moradias populares para ajudar o trabalhador a ter sua casa própria.

Resta ao governo apelar para a força bruta, não é a toa que a força nacional, com a justificativa de combater as mortes o campo, se encontra na região.

Protestos Recentes

A última semana do mês de julho de 2011 foi marcada por manifestações contrárias a construção da Usina Hidroelétrica de Belo Monte.

No dia 28 de julho a Executiva Nacional dos estudantes de Comunicação Social (ENECOS), a Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB) e o Comitê Metropolitano Xingu Vivo Para Sempre realizaram ato em Belém para mostrar a indignação e alertar a população para os riscos da obra. No dia seguinte, o Movimento Xingu Vivo realizou em Altamira, grande ato que percorreu as ruas da cidade exigindo que as obras não tenham início. Ambos contaram com mais de mil pessoas cada.

Dando continuidade a onda de protestos, no dia 20 de agosto mais de 15 cidades brasileiras – entre elas Belém, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Porto Alegre – realizaram atos contra a construção da Usina. Em Santarém, oeste do Pará, os protestos foram também em contraposição a construção da Hidrelétrica do Tapajós. No dia 22, aproximadamente 14 países protestarão em frente a embaixadas e consulados brasileiros contrapondo-se ao empreendimento.

O Juntos! Juventude em luta e o coletivo feminista Juntas! A luta da mulher muda o mundo estiveram presentes em todas as manifestações e lançam a proposta de organizar nacionalmente brigadas estudantis para fomentar debates, organizar caravanas para ir a Altamira e articular, entre outras tarefas, dentro de universidades e escolas a juventude indignada com o Belo Monstro.

Águas para a vida e não para a morte!

Fotos das manifestações que ocorreram

http://www.xinguvivo.org.br/2011/08/23/imagens-do-mundo-contra-belo-monte/

* Anderson Castro é do Comitê Xingu Vivo, coordena a Rede Emancipa no Pará e faz parte do Juntos! Juventude em Luta

** Sheyla Juruna, liderança indígena da aldeia da Boa Vista que fica no município de Vitoria do Xingu, junto com Antônia Melo do movimento Xingu Vivo, é uma das principais lideranças na luta contra barragens na Amazônia.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017