Paz entre nós, guerra aos senhores!

14/out/2011, 16h10

Já estamos no dia 15 de outubro de 2011. Ao que tudo indica, viveremos o dia da maior mobilização coletiva da história da civilização. Não há precedentes de que quase mil cidades de 80 países tenham feita a mesma manifestação. Já somos milhões de pessoas comprometidas com isto.

O dia 15 de outubro de 2011 é um verdadeiro assalto aos céus. Só vamos acampar em praças porque nossos irmãos árabes aniquilaram ditaduras de décadas – até então apoiadas pelos governos do ocidente – com mobilização de milhões nas praças de seus países. Neste momento, ousaremos mostrar aos donos do poder que nos identificamos com nossos irmãos árabes.

Houve um dia em que as mulheres foram impedidas de participar da política e da vida pública. Houve o dia em que os negros e os indígenas não foram considerados seres humanos. Os assassinatos de homossexuais já foram aplaudidos quase como um consenso. Muitas desses crimes e preconceitos ainda existem, por isso seguimos lutando, para eliminar qualquer forma de opressão de nossa sociedade e para construir um mundo pleno de diversidade e respeito.

Nós, do Juntos, temos identidade com todas as pautas que estão presentes nas Praças do Mundo. Vibramos com as Revoluções Árabes, com a luta dos indignados europeus, dos ocupantes de Wall Street e com os estudantes chilenos. E seguindo o exemplo destes companheiros, vamos jogar todas as nossas forças na mobilização no Brasil. Queremos compartilhar experiências e atividades com todos os que queiram mudar esse mundo nefasto. Independente de serem jovens, velhos, homens, mulheres, pardos, negros, índios, gays, lésbicas, apartidários, partidários, socialistas ou ambientalistas. Queremos construir algo absolutamente novo, em que nossos princípios sejam a igualdade de direitos, o respeito mútuo, a solidariedade, a democracia participativa, dar voz ao povo, preservar e incentivar a diversidade, ou seja, uma sociedade radicalmente nova que pode estar nascendo aqui e agora.

Até hoje, fomos dominados por vários motivos. Um deles é por conta de nossa fragmentação. O neoliberalismo despedaçou a noção de coletividade e a consciência de que somos todos escravos do mesmo sistema. A ideologia dominante ainda segue dominante e muitos que a carregam dentro de si estarão nas praças deste 15 de outubro. Vão procurar dentro do nosso movimento global coisas para nos dividir. Não podemos cair nessa armadilha. Nossa maior ousadia neste momento é fazer daquilo que nos unifica nossa maior arma. É por isso que realidades tão distintas sairão às ruas num ato mundial. Mas, infelizmente, há aqueles que entre nós se equivocam e aceitam fazer o jogo da classe dominante. E ao invés de batalhar pela unidade do movimento, ocupam seu tempo se dedicando a buscar temas que nos dividam.

O 15 de Outubro não visa fundar um partido político, muito menos promover o grupo X ou Y. Não há um movimento único que o realiza. O 15 de outubro não deve ter donos, nem pátria, nem patrão. Pelo contrário, é um ato dos 99% da população alijada do direito de decidir sobre o futuro de seu país. Devemos mostrar à elite dominante que não somos como eles. Que respeitamos as diferenças e convivemos bem com elas. Portanto, registramos que não vamos apoiar e referendar o divisionismo, o desrespeito, a violência e a coerção àqueles que pensam e se organizam de forma diferente. Não concordamos que hostilizem qualquer manifestante. Não compactuamos que alguns poucos digam como devemos nos vestir, como devemos nos portar, o que devemos dizer, como deve ser nosso padrão estético. Isso os ricos, os banqueiros e seus políticos-marionetes já fazem. É contra isso que também lutamos.

Deixamos aqui nossa modesta contribuição. Que o dia 15 de outubro de 2011 seja um começo, um primeiro passo, rumo a união global dos povos por democracia real, pelo anticapitalismo e pela surgimento de um novo sistema econômico e social: justo, igualitário, radicalmente democrático e com respeito a diversidade. Como diz a Internacional, poema de Eugene Pottier, anarquista francês: “Paz entre nós, Guerra aos senhores”.