Novo Boletim Juntos! USP!

29/nov/2011, 16h26

Uma aula de democracia dos estudantes da USP!

O dia 8 de novembro ficará marcado na história da universidade pela truculência da reitoria, que se utilizou de 400 policiais, helicópteros e viaturas para prender 73 estudantes. No mesmo dia, mais de três mil estudantes se reuniam em assembleia e deliberaram greve contra a criminalização do movimento e a militarização dos campi promovida pela reitoria. A partir de então, nas três semanas seguintes, os estudantes estão dando sua aula de democracia ao reitor e ao governador com assembleias e atos com a participação de milhares de pessoas. Cursos e unidades que tradicionalmente não participam do movimento estudantil, como o IO, IAG e Ciências Moleculares começaram a discutir sobre as implicações da presença da PM no campus, os problemas de segurança e a falta de diálogo do Reitor com a comunidade universitária.

Além disso, EACH, São Carlos, Pirassununga, Ribeirão Preto, Piracicaba e Lorena também realizaram debates e assembleias locais sobre os eixos de mobilização. Em cada um desses lugares os estudantes puderam debater os últimos acontecimentos na universidade e suas experiências com a gestão Rodas e a falta de democracia presente na USP.

Acreditamos assim que os estudantes estão dando uma resposta contundente à reitoria. Um exemplo disso, é que a reitoria se sentiu obrigada a soltar um boletim do USP Destaques só falando do plano de iluminação para os campi. No lugar da força, o movimento estudantil se coloca como defensor da universidade como local do debate de ideias e do pensamento crítico.

Nossa luta de hoje e de amanhã! Queremos democracia na USP!

A mobilização dos estudantes mesmo que forte, tem seus desafios. Podemos citar o fim do semestre como um deles. Assim, precisamos debater a greve como instrumento de mobilização neste próximo período de férias. Sem as aulas, a greve fica enfraquecida, já que a participação d@s estudantes ficará muito reduzida. É preciso avançar nas nossas conquistas para não desgastarmos nosso movimento e a greve como instrumento de luta.

Neste momento, entendemos que o movimento deve pressionar ainda mais a reitoria reivindicando nossos eixos debatidos em assembléias. Desta forma, achamos que o processo de abertura de negociação com a reitoria é importante para continuarmos obtendo conquistas.

Por um comitê de mobilização para a construção de uma calourada forte em 2012!

Além disso, o movimento estudantil precisa continuar se organizando para dar respostas à reitoria. Neste sentido, as entidades estudantis e tod@s aqueles envolvid@s na mobilização devem construir uma grande calourada em 2012 que seja um verdadeiro fórum de discussão em defesa da educação pública e por democracia na USP. Por isso, propomos que no lugar do comando de greve se construa um comitê de mobilização capaz de abarcar entidades estudantis e estudantes interessados nesta construção. Achamos que o comando de greve, a partir do momento das férias, perde sua função de executar deliberações, já que a realização de assembleias de curso e campi ficarão inviabilizadas. Além disso, é necessário que os centros acadêmicos da capital e dos campi do interior, responsáveis pela recepção d@s calour@s, possam participar da construção da calourada. No ano de 2012 a nossa luta continua por Fora Rodas! E pela democratização da universidade através de um processo de estatuinte!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017