A luta do povo em Teresina: todos contra o aumento!

14/jan/2012, 02h32

João Berkson Araujo e Renan Dias

Entendendo o movimento

Em setembro de 2011 a prefeitura de Teresina em cumplicidade com os empresários do transporte público aumentaram a passagem dos ônibus na cidade de R$1,90 para R$ 2,10 causando a indignação do povo teresinense que foi às ruas, e a partir da luta que em seu ápice colocou 30 mil pessoas nas ruas, conseguiu barrar o aumento despótico dos empresários do transporte de Teresina.

Mesmo com essa importante vitória do povo, os empresários do transporte e o prefeito não desistiram de implantar o aumento e no primeiro dia de 2012, aproveitaram-se das férias e das comemorações de fim de ano para lançarem novamente o aumento.

Utilizaram esta tática no intuito de não terem que enfrentar novamente a ira do povo e os protestos de rua. Porém a tática não deu certo e no dia seguinte o Fórum Estadual em Defesa do Transporte Público que é composto por diversas entidades estudantis, sindicais e movimentos sociais convocaram a população às ruas, que atenderam de pronto o chamado começando um dos primeiros e mais importantes movimentos de rua do Brasil neste ano.

A repressão é a estratégia do governo

As mobilizações intensificaram-se novamente levando entre mil e duas mil pessoas diariamente para a Av. Frei Serafim, que se tornou ponto de encontro dos lutadores piauienses neste começo de ano. Os protestos cada vez maiores e radicalizados estavam pressionando novamente o governo que no sétimo decidiram intervir violentamente através da PM.

Os estudantes sentaram-se no meio da avenida interrompendo o trânsito com velas acesas para simbolizar os sete dias de protestos, quando foram covardemente atacadas pelos PMs. Após o início do ataque, como foi noticiado praticamente no mundo inteiro, formou-se um verdadeiro campo de batalha. Os estudantes através de relatos que pude colher pessoalmente com eles iniciaram a correria e começaram a se defender da maneira que puderam, porém muitos saíram machucados de arranhões, passando por braço quebrado chegando até tiro de balas de borracha no olho de um companheiro que estava na luta.

Depois deste confronto foram presas 17 pessoas entre manifestantes e civis que estavam simplesmente observando as manifestações ou ainda passando no local no momento. Para se ter uma idéia da brutalidade da polícia na ação, houve relatos de que um atendente da padaria que estava trabalhando na hora do ato foi levado preso, assim como pessoas que estavam simplesmente ajudando estudantes a se levantarem no meio do gás lacrimogêneo e da chuva de balas de borracha.

Os presos políticos tiveram fianças estipuladas em preços altíssimos de maneira ilegal como denunciado posteriormente pela comissão jurídica do movimento, já que nesses casos devem ser analisadas as condições financeiras dos presos assim como seus antecedentes.

O movimento porém não arrefeceu, apenas se intensificou, no dia seguinte enquanto uma parte do movimento lutava pela redução das fianças e em reunir o dinheiro para libertar os presos políticos, ocorreu a maior mobilização desde o dia 2 de janeiro, os estudantes foram em massa às ruas mostrar sua indignação contra a repressão policial.

A libertação dos presos mostra o lado negro da repressão do estado

No fim do dia 11 de janeiro o movimento conseguiu reduzir o valor inicial da fiança de cerca de seis mil reais pra aproximadamente dois mil reais, e reunir todo o dinheiro necessário para libertar os manifestantes. Eles saíram com a ordem judicial de não mais participarem de atos políticos do movimento contra o aumento e revelando para todo o movimento a enorme desumanidade com a qual foram tratados.

Depois da truculência utilizada na apreensão dos manifestantes, os mesmos relataram em coletiva de imprensa na manhã do dia 13 agressões físicas e principalmente psicológicas dentro da prisão, sendo inclusive que foram colocados em um determinado momento no bloco da penitenciaria onde ficavam os presos mais perigosos. Ao saber disso é inevitável perguntarmos se realmente manifestante, estudantes e trabalhadores, lutando pelo seu direito de ir e vir são realmente tão perigosos quanto homicidas?

A luta, porém não para e chegamos já ao décimo dia de manifestações diárias na Av. Frei Serafim com um número reduzido de manifestantes como era esperado para uma sexta-feira de férias depois de duas semanas de manifestações ininterruptas e também devido à falta de carro de som provocado pela repressão aos donos, porém é observável a vontade política de luta dos manifestantes que estão participando. O Fórum Estadual em Defesa do Transporte Público junto com as entidades que o compõem e os militantes que participam diariamente não parecem estar dispostos a desistir sem a revogação do aumento da passagem.

A luta não arrefece nem sequer com a articulação externa de movimentos governistas e não-representativos dos manifestantes que marcaram uma reunião com o prefeito à revelia dos verdadeiros representantes e que puxam a luta diariamente o Fórum Estadual em Defesa do Transporte Público. Porém o Fórum continua tentando se inserir na reunião para levar pra lá a verdadeira voz do povo, as suas verdadeiras reivindicações e dizer que o povo não irá desistir enquanto não houver a revogação do aumento.

  • Pela revogação do aumento da passagem;
  • Pela integração total das linhas de ônibus sem limite;
  • Pela municipalização do transporte público;
  • Pelo passe livre para estudantes e trabalhadores/as desempregados/as

Contra o Aumento da Passagem: EU LUTO!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017