Catracaço marca o décimo-segundo dia de mobilização em Teresina

18/jan/2012, 18h02

* Daniel Ribeiro

Na tarde de terça-feira, os manifestantes se reuniram para realizar mais um dia de ato no centro de Teresina. Aparentemente, seria mais um dia de fechar as principais ruas da capital do Piauí e exigir do prefeito uma audiência pública para negociar as pautas do movimento. No entanto, os manifestantes resolveram inovar e realizar um ato arrojado. A paralisação, dessa vez, não foi da principal avenida, a Frei Serafim, nem tampouco da Ponte Estaiada, mas sim dos principais terminais urbanos da cidade. No final da tarde, quando há o maior número de pessoas nos pontos de ônibus, os estudantes, através de panfletagens, convenceram usuários e motoristas a realizarem um catracaço. “Hoje o busão é por conta das empresas!”.

O ato dessa tarde foi feito com o intuito de convencer a população da importância da mobilização contra o aumento da tarifa e, principalmente, denunciar os acordos ilícitos entre o prefeito Elmano Férrer (PTB) e as poucas empresas de transporte urbano da cidade. O resultado dessa manifestação foi fantástico! Enquanto os motoristas abriam as portas traseiras dos ônibus para os usuários entrarem gratuitamente, a população fazia coro em apoio aos manifestantes e às pautas do movimento.

No começo da noite, quando o ato já estava chegando ao fim, os veículos de comunicação da região noticiavam que Elmano receberia representantes do movimento para uma possível negociação na manhã de quarta-feira, 19. No entanto, as únicas entidades que foram convidadas foram aquelas que, de alguma maneira, estão atreladas tanto com o governo municipal quanto com o estadual. Isso, na opinião do Fórum Estadual em Defesa do Transporte Público – organização que promove e impulsiona os atos contra o aumento desde o ano de 2011 –, é mais uma demonstração de desrespeito com aqueles que estão nas ruas de Teresina desde o dia 2 de janeiro. Pois as entidades convidadas pelo prefeito, além de serem governistas, estão fora das ruas e articulando apenas por dentro dos gabinetes.

A reunião acontecerá. Mas a população continuará nas ruas exigindo a presença do prefeito em uma audiência pública para prestar contas aos diversos setores da sociedade. E só vão parar quando a tarifa reduzir e as pautas do movimento forem atendidas. Os próximos passos seguem também no sentido de organizar uma mobilização nacional por um transporte público que seja de qualidade. A luta já se espalhou e diversas cidades pelo Brasil estão organizando seus atos. Indignados de todo o país continuarão nas ruas para combater as máfias do transporte.

* Daniel Ribeiro é estudante de Ciências Sociais na USP, militande do Juntos! e está acompanhando os protestos contra o aumento do ônibus em Teresina-PI.

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