Dessa vez estaremos acordados às 6 horas da manhã

29/jan/2012, 17h28

Evelin Minowa

Acabei de chegar em casa de uma vigília em solidariedade a uma semana da desocupação da comunidade de Pinheirinho, em São José dos Campos, que está acontecendo no vão do MASP (em SP capital), nesta madrugada. Um terreno grilado pelo mega investidor financeiro Naji Nahas — o mesmo que foi preso pela Polícia Federal na mesma operação que revelou um esquema enorme de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro, relacionada inclusive com um certo mensalão histórico aí…

Quase 9 mil pessoas que da noite pro dia ficaram sem suas roupas, seus móveis, suas coisas, sua casa, sua vida. Para quê mesmo? O terreno da comunidade do Pinheirinho valia R$6 milhões há 6 anos. Hoje vale R$180 milhões. Bota uma Copa do Mundo daqui a 2 anos + uns Jogos Olímpicos daqui a 4; multiplica pelo fato de que o terreno fica perto de uma rodovia de importante fluxo, no meio do caminho entre SP e RJ. E que S. José é uma cidade bem desenvolvida e que tem condições de ser uma sub sede desses grandes eventos. Isso explica a conta de que este terreno só vai aumentar mais e mais?

De fato, o que vai render um terreno como esse nas mãos de pessoas que vieram sei lá da onde aumentar o tamanho da periferia paulista? Temos é que gerar renda, progresso e desenvolvimento! Mas… pra quem mesmo?

É necessário liberar os terrenos paulistas para a construção dos mega prédios onde se alojarão todas as multinacionais que estão vindo para investir na 6ª economia mundial. Os prédios subaproveitados do centro de SP, “invadidos” por usuários de crack, por exemplo, precisam ser limpos, porque há muitos escritórios a construir; a USP precisa ser varrida de ideologias, porque isso atravanca a inovação, precisa formar pessoas PARA o mercado de trabalho. Essa parece que tem sido a interpretação do governador Geraldo Alckmin sobre a sociedade paulista. E como um bom governador do PSDB que se preze, tem utilizado bem o instrumento da Polícia Militar e da “Justiça”, além da grande mídia, para fazer tudo que precisa para manter as coisas em ordem, para o desenvolvimento de SP, e consequentemente do Brasil. Mas… pra quem mesmo?

Pinheirinho é a mostra do que está por vir a partir de 2012 para a ordem e o progresso do Brasil. Se em 2011 fomos todos tunisianos, egípcios, indignados de todo mundo, em 2012 teremos que ser mais brasileiros do que nunca, daquele tipo que não desiste nunca mesmo, porque se lá fora a fé, coragem e persistência de pessoas, humanas e simples como nós, modificaram a sua história, estão modificando a história do mundo, está na nossa fé, na nossa ousadia e na nossa resistência a revolução na consciência brasileira, dentro desse giro do mundo.