Nota do Juntas! de repúdio à agressão a uma estudante grávida na USP

13/jan/2012, 14h17

A Guarda Universitária da Universidade de São Paulo deu mais uma mostra do seu despreparo para atuar dentro de um espaço que deve ser de democracia e diálogo. Na segunda-feira (9/01), durante a retirada daqueles que estavam utilizando o espaço dos estudantes do DCE-Livre da USP, na Cidade Universitária, guardas usaram da força para impedir que uma estudante registrasse a ação.

Ana Paula de Oliveira, graduanda de Matemática e grávida de cinco meses, foi derrubada por um guarda enquanto tentava tirar fotos. Ao tentar se levantar, guardas fecharam a porta de ferro em suas costas. Mais uma vez, a força foi desnecessariamente utilizada contra estudantes dentro da USP.

Essa não é a primeira reclamação de estudantes em relação à forma truculenta com que a Guarda Universitária trata qualquer assunto.

Uma das reivindicações da greve dos estudantes é, exatamente, a de que a Guarda Universitária seja reformada, e tenha treinamento em direitos humanos e preparação para atuar com mulheres (além de um efetivo feminino). O machismo manifestado pelos guardas, que sequer poderiam tocar em uma estudante mulher, é mais um exemplo do que muitos já sabiam: enquanto a Guarda Universitária for preparada para proteger “patrimônio” e não as pessoas que circulam dentro do campus, enquanto não tiverem um treinamento adequado às necessidades daqueles que, todos os dias, passam pela USP, casos como esse continuarão acontecendo.

O Juntas! repudia a ação da Guarda Universitária, reiterando a importância da autonomia dos espaços estudantis e a garantia da seguranças das mulheres estudantes da universidade. Entendemos, contudo, que também não é polícia militar quem tem condições dar segurança às e aos estudantes, uma vez que seu papel é muito mais o de reprimir (como no caso do estudante negro agredido dentro do espaço de vivência dos estudantes). É preciso uma Guarda Universitária formada para atender à essa demanda.

Juntas! A luta das mulheres muda o mundo