Juntos! na Greve da PM da Bahia

08/fev/2012, 01h20

*Linnesh Ramos

“Enquanto houver um PM de pé, a luta continua!”

Essas foram as palavras de um PM para os soldados do Exército que blindavam a entrada na Assembleia Legislativa. O clima da cidade é tenso, caótico e a periculosidade aumenta a cada dia. Desde o início da greve, o número de homicídios em Salvador e região Metropolitana, aumentou em 129%. Foram registrados até agora 95 mortes, e o número de roubos de carro até o final de janeiro contabilizaram 235 veículos, contra 346 no mês de fevereiro. Diariamente ônibus são assaltados, praças com cenas de arrastões, além da “limpa” que se faz nas periferias matando – como se diz – “a rodo”, os viciados em crack, mais conhecido como “sacizeiros”. Este é o cenário da capital baiana.

O Governo anunciou que pediu à Presidenta Dilma ajuda para conter a onda de violência que viria, e assim enganou por alguns dias a população. O fato é que chegaram na Bahia, cerca de 3 mil militares para assegurar o “pleno estado de direito democrático”. Com o passar dos dias e o número de assaltos aumentando, a população se perguntava: mas aonde estão esses oficiais que não vemos nas ruas? A resposta veio com o mandato de desocupação da Assembleia Legislativa, a casa do povo. O exército, desde o início da madrugada de hoje realizava ações para intimidar o movimento com voos baixos de helicópteros sobre a área.

A situação se agravou de tal forma que os grevistas se aglutinaram dentro da Assembleia. Durante o dia, o número de colegas de profissão, familiares e amigos aumentaram para dar apoio ao movimento. Em média, contabilizaram algo em torno de 300 pessoas do lado de fora da assembleia! Com este numero aumentando, a força nacional bloqueava todas as passagens que davam acesso ao pátio, não permitindo a entrada de água e comida para os manifestantes, forçando a desocupação.

Hoje pude comparecer às proximidades do local com um camarada do PSOL, Reinaldo Cruz, sindicalista do SINASEFE e uma amiga Ellen Balland estudante de Pedagogia da UFBA. A Avenida principal que dá acesso à entrada para o local (Av. Paralela) estava completamente sitiada por policiais e soldados. Viadutos foram interditados para evitar que mais manifestantes entrassem. A entrada de carro foi totalmente bloqueada e alguns conseguiram furar o bloqueio a pé. Mas, por volta das 17h o que víamos na entrada eram tanques de guerra, e centenas de soldados com suas armas em postos.

Ali estavam os soldados que fariam a segurança pública! Dinheiro público que já não vai para saúde, educação, melhorias de saneamento, e aumento salarial, foi para pagar a repressão aos grevistas! Enquanto isso, nos bairros mais populares, a violência “corria solta”! Não tinha mais como esconder, está ficando cada vez mais evidente para a população que o Governo petista de Jaques Wagner é o culpado dessa situação! Em 2001, ele apoiou a greve da categoria, dizendo que esta deveria ter o salário digno, que os policiais em greve deveriam ser reintegrados, e obteve teve apoio para sua eleição. Agora se recusa a negociar. E criminaliza o movimento grevista.

Esta atitude já não se mostra estranha ao povo baiano! Na greve dos professores, ao invés de buscar negociação, buscou a ilegalidade do movimento; ao invés de assegurar a saúde pública de qualidade, Jaques Wagner retira os direitos no PLANSERV (Plano de saúde dos servidores) e assim vai levando sua política carlispetista, fazendo a estrela do PT, se apagar diante dos trabalhadores!
Numa terra onde sua história é de resistência aos tiranos, desde os tempos coloniais com a luta contra a escravidão, com grandes revoltas populares pela Independência da Bahia, com grandes lutas contra a ditadura, e vários enfrentamentos contra a política Carlista, o povo baiano foi iludido ao pensar que o PT ajudaria na saga desse povo! A política de Wagner já não encontra grandes diferenças com a política Carlista. O “Galego” (http://www.facebook.com/groups/296044287119108/) não abre negociação com o movimento e nega de todas as formas, a anistia aos dirigentes desta greve! Não queremos presos políticos! O movimento não entregará seus companheiros de luta ao presídio de segurança máxima como se fossem marginais!

Sabemos da grande importância que este momento aqui na Bahia tem para o Brasil. Sabemos que não somos um fato isolado e que, nossas vitorias e derrotas cairão sobre outros movimentos grevistas! Isto faz a necessidade de apoio intransigente ao movimento e às suas reivindicações! Não se trata apenas de “apoiar ou não os PMs”, se trata de apoiar ou não uma o direito de greve de uma categoria que é altamente explorada pelas condições de trabalho e baixo salário. Nisto, nós nos reconhecemos! A história não pode andar para trás! Nem a grande mídia consegue esconder a culpa que o Governo da Bahia tem, nesta uma semana de intenso derramamento de sangue!

Juntos pelo direito de fazer greve!
Juntos pelo direito de lutar!

“Nunca mais o despotismo
Regerá nossas ações
Com tiranos não combinam
Brasileiros corações.”

Trecho retirado do Hino do Estado da Bahia.

*Militante do Juntos! Bahia