Juntos! Por Outro Ato Médico

29/fev/2012, 18h00

Por Anderson Castro (anndinho)*

Em torno de 40 estudantes da área da saúde, após o feriadão do carnaval, reuniram-se hoje (28/02) para discutir o polêmico ato médico. A mesa foi mediada por mim e de forma brilhante Marcelo Ricardo (CAENF UFPA) e Bruno Lima (Enfermeiro e acadêmico de Psicologia UFPA), ambos do Juntos argumentaram sobre o impacto do ato médico nas demais profissões da área da saúde.

Após o debate, organizamos um calendário de mobilizações. Em breve eu, Alice (acadêmica de medicina UEPA) e Bruno enviaremos para o Juntos um texto detalhado sobre alguns dados relevantes que nos colocam, de forma alguma, contra o ato médico e sim pela sua reformulação.

Dentre os encaminhamentos, deliberamos que iremos, vestidos de jaleco ou de branco, protestar pacificamente durante a Aula Magna da calourada UFPA (01/03). Nossa concentração será a partir das 14h no ILC (em frente ao ginásio de esportes) para nossa oficina de cartazes. Vamos Juntos?

Abaixo você verá a postagem de alguns dos participantes no facebook externalizando o que acumularam no debate:

Flávia Câmara**

‎”Por Outro Ato Médico”

Hoje, no auditório da UEPA, discentes de vários cursos estiveram presentes no debate sobre o Ato Médico. Assunto que há muito tem sido pauta de discussões e que acaba de dar mais um passo em direção a sua aprovação. O debate foi riquíssimo e com colocações que visaram acima de tudo a saúde pública, a coletividade e unidade dentro das categorias. Ninguém é contra ao Projeto de Lei que regulariza a profissão – Medicina. O que se discute é a gama de atribuições que são tomadas como privativas dos médicos e conceitos que são obscuros e podem dar margem a duplas interpretações. Como nosso amigo Bruno Lima bem colocou, o debate tem pelo menos 3 pontos de debate: o jurídico, o de categoria e o social. E ficar no corporativismo sem ampliar o debate para as questões ligadas ao SUS e à saúde de um modo geral é uma negligência para com a sociedade (…)

Infelizmente, a unidade na psicologia é quimera. Pois, os que não trabalham na área da saúde pensam que não serão afetados pelo Ato e esquecem que eles também fazem parte do Sistema, se não como profissional, e sim enquanto usuários. E, para além disso, caem no discurso individualista e corporativista, fechando os olhos para o social.

Convido aos discentes de Psicologia a participarem e se juntarem a nós nessa luta não contra o Ato, mas “Por Outro Ato Médico”, constitucional e democrático.

Dia: 01/03 (aula magna)
à vista seu jaleco ou use branco (para quem não tem ainda jaleco) e vamos fazer uma manifestação inicial.

Laís Lima***

ATENÇÃO A TODOS OS CALOUROS DA ÁREA DE SAÚDE!

URGENTE… Galera como todos sabemos o ‘ato médico’ está tramitando e pronto para ser homologado, fazendo com que os outros profissionais da saúde percam a autonomia diante das suas profissões e possivelmente haja um caos no sistema único de saúde (SUS), então convidamos vocês para irem todos na ‘aula magna’ vestidos de jaleco ou de branco protestar para que reformulem o ‘ato médico’… precisamos da força de todos para impedir que essa lei seja aprovada da forma que está, então não esqueçam às 14:00 hs DIA 1° NA AULA MAGNA A CONCENTRAÇÃO SERÁ AO LADO DO GINÁSIO EM FRENTE AO ILC, TODOS DE JALECO OU ROUPA BRANCA LUTANDO PELOS NOSSOS DIREITOS. Contamos com a presença de todos! =D

O ato médico é regulamentação dos profissionais da área da medicina. E tal ato visa oficializar os comandos e procedimentos cabíveis aos médicos. O problema é que a descrição destes procedimentos e suas realizações ferem a autonomia de vários cursos da área da saúde, burocratiza a realização dos mesmos e interfere na qualidade do serviço público de saúde. Afinal, os médicos é quem delegarão nossas funções e comandarão a realização de diversos procedimentos realizados por enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, psicólogos… O que ocasionará na centralização do poder de nossas atividades nas mãos dos médicos e inúmeras perdas salariais.

Jamil Vale****

É importante ressaltar que NÃAO somos CONTRA a regulamentação da profissão medica, pelo contrario, acreditamos que todos devemos ter nossa regulamentação, desde que respeite a autonomia e liberdade especifica de cada profissional, dentro de suas competências.

* Anderson Castro – é estudante de Psicologia, coordenador da Rede Emancipa e militante do Juntos!

** Flávia Câmara – é ex-coordenadora Geral do Centro Acadêmico de Psicologia da UFPA

*** Laís Lima – é caloura de enfermagem UFPA

**** Jamil Vale – é calouro de enfermagem UFPA