#NÃO PAGO!

13/fev/2012, 14h54

Lucas Mendes*

Na ultima sexta-feira, dia 10 de fevereiro, o Diretório Central dos Estudantes da UFU em conjunto com outros movimentos sociais e coletivos estudantis da cidade organizaram mais um ato contra o aumento da tarifa do transporte público na cidade, que neste início de ano, passou de R$ 2,40 para R$ 2,60. O Movimento pelo Acesso ao Transporte Público, intitulado de #Não Pago! vem puxando os debates e movimentações por um transporte que tenha como parâmetro central a acessibilidade no preço da tarifa e a qualidade para os usuários. Infelizmente o que encontramos na atual situação do transporte coletivo de Uberlândia, são ônibus lotados, freqüentes atrasos e preços abusivos.

O aumento do passe na cidade é contratual, isso porque em 2008, o prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão Carneiro, ainda no início de seu segundo mandato, assinou um documento que outorgava o aumento no valor tarifa todo início de ano, independentemente da conjuntura pela qual passava a cidade e o país. Esse processo configurou o monopólio no transporte público que vivenciamos hoje em Uberlândia, as três empresas que venceram a licitação, adquirindo o direito de prestar este serviço aos uberlandenses são de um mesmo empresário. Ou seja, hoje temos um único proprietário administrando o lucro deste serviço que, até o início do ano era de 3,8 milhões de reais por mês, enquanto os estudantes e trabalhadores sofrem com ônibus lotados e preços que sobrecarregam o orçamento mensal dos usuários.

Por entender que o transporte público é um direito e não uma mercadoria, nosso movimento foi às ruas mais uma vez, contestar a atual situação de nosso transporte frente ao prefeito da cidade e ao governador do Estado de Minas Gerais, Antônio Anastasia, que inauguravam naquela tarde a faraônica obra de um viaduto, que paradoxalmente, tinha por tarefa melhorar a situação do transporte na cidade. Ao nos aproximarmos do local onde se encontravam os já citados prefeito e governador, a truculência da polícia com os manifestantes presentes foi assustadora. Em grande quantidade numérica e fortemente armados os policiais barraram a passagem e não permitiram o avanço da marcha. Em tom de ameaça o oficial que comandava a operação, avisou que se avançássemos mais um pouco o confronto com aquele incrível aparato de repressão seria inevitável. O tensionamento se acirrou quando, na tentativa de negociação por nossos direitos democráticos de manifestação livre, uma de nossas militantes chegou a receber voz de prisão.

A medida que, avançam nossas manifestações, Uberlândia tem percebido não só a importância, mas a necessidade de se travar estas lutas nas ruas. Cresce o número de indignados com a situação contraditória de alguns poucos que concentram muito e muitos que possuem tão pouco. Nesse movimento, Uberlândia se junta as lutas nacionais contra o aumento do passe e por um transporte público de qualidade, com a certeza de que, somos também os 99% de indignados que Juntos! são imbatíveis!

* Lucas Mendes é Diretor do DCE UFU e militante do JUNTOS!