Nota da chapa “Não vou me adaptar!” em repúdio à reintegração de posse no CRUSP

20/fev/2012, 03h32

Há quase quatro meses, no dia 08 de novembro do ano passado, a reitoria e a Polícia Militar protagonizaram um dos episódios mais lamentáveis da história da USP. Mais de 400 policiais da tropa de choque, cavalaria e helicópteros, ocuparam o campus Cidade Universitária para fazer a reintegração de posse da reitoria e prender 73 estudantes em caráter político.
Em resposta a essa manifestação truculenta de criminalização do movimento social, milhares de estudantes entraram em movimento com uma grande mobilização, exigindo, entre outras reivindicações, a desmilitarização da universidade e o fim das perseguições políticas.
No entanto, o ímpeto da reitoria continua. Na madrugada desse dia 19 de fevereiro, domingo e feriado de carnaval, a USP novamente amanheceu sitiada pela tropa de choque. Centenas de policiais invadiram o Bloco G do CRUSP — originalmente utilizado como moradia, que tinha sido retomado por estudantes enquanto espaço de moradia estudantil após anos sendo utilizado pelo setor administrativo da COSEAS — e retiraram violentamente de lá os estudantes, levando 12 deles presos, incluindo uma mulher grávida.
Garantir a permanência estudantil na universidade é uma obrigação da reitoria e do Estado. No entanto, Rodas nunca apresentou uma política concreta para isso na USP. Pelo contrário, faltam moradia estudantil, bolsas de auxílio, creches para filhos das mães estudantes etc. Ao mesmo tempo, o reitor defende cada vez mais um perfil de universidade distante dos interesses da maioria da população, elitista e repressora de quem se opõem às imposições da reitoria.
O governador do estado Geraldo Alckmin (PSDB), co-autor dessa situação, acrescenta mais um fato na sua longa história de quebra aos direitos humanos — demonstrada na Cracolândia e na comunidade do Pinheirinho em São José dos Campos — por autorizar uma reintegração de posse durante um domingo carnaval, para evitar qualquer articulação que conteste tal ação.
Não podemos permitir que a USP tenha em sua rotina prisões políticas! Não podemos admitir que o reitor Rodas, em parceria com o governo do estado, continue militarizando a USP e gerindo a universidade de maneira truculenta e antidemocrática.
Nós, da chapa Não vou me adaptar!, manifestamos completo repúdio à reintegração de posse do Bloco G do CRUSP e a prisão dos 12 estudantes. Exigimos a liberdade desses estudantes, o fim da perseguição política na USP e a anistia de todos presos e expulsos!
Chapa Não vou me adaptar! para o DCE-Livre da USP 2012. O Juntos!, em conjunto com outros ativistas e coletivos, compõe a chapa.