Sobre o Occupy Wall Street, direto de NY!

24/fev/2012, 19h35

*Maia Fortes

Cheguei em Nova Iorque ainda meio perdida com o fuso horário e a mudança de temperatura, mas fui correndo para a Columbia University, onde estava ocorrendo uma reunião da International Socialist Organization, uma organização companheira do Juntos! nos EUA.

Por lá a principal discussão girava em torno do processo do Occupy Wall Street e de outras lutas que estão em voga na cidade, sendo a principal o ataque a educação pública que está sendo engenhado pelo prefeito Michael Bloomberg, oitavo homem mais rico dos Estados Unidos e empresário saído diretamente de Wall Street.

Ao conversar com os jovens aqui, a importância do OWS é reafirmada constantemente. O movimento, que continua atuando, fazendo reuniões cotidianas em um prédio chamado Atrium sobre os mais diversos temas como racismo, defesa do meio ambiente, violência policial, educação, habitação, etc, e organizando atividades de formação e manifestação pela cidade, é uma inspiração também para grupos que estão se organizando nas comunidades para além da área central de Manhattan.

O movimento teve um peso grande na consciência da população e no convencimento geral da existência do Corporate Greed (Ganância Financeira), um processo extremamente importante em um país com uma tradição em que o individualismo e a ideia de “vencer na vida” são muito presentes e não havia uma consciência de coletivo. Aqui o capitalismo era sinônimo de liberdade.

Os ataques provenientes da crise, principalmente o elevado desemprego (conversei com várias pessoas que foram demitidas no último ano, jovens e mais velhas) e os foreclosures (tomada, pelos bancos, das casas das pessoas, para pagamento de dívidas), além da primavera árabe e das manifestações na Europa foram acontecimentos centrais para que a fagulha dos Occupys se espalhasse pelo país inteiro.

A Lea, uma jovem, também professora da rede pública de ensino em NY disse para mim o mesmo que temos discutido desde a fundação do Juntos!: “Nossa geração nunca tinha visto esse tipo de mobilização. As pessoas deixaram de se sentir isoladas. Se sentiam parte de algo e se convenceram de que poderiam mudar o mundo. Ouvimos todos os dias, por mais de 3 meses: Another world is possible.”

Esse potencial expressado no OWS, que reuniu centenas, milhares e centenas de milhares de pessoas em Nova Iorque e em outras partes do país, fez com que as pessoas saíssem fortalecidas para lutarem contra novos ataques e convencidas de que fazem parte de um grupo, dos 99% e podem combater os 1%.

As perspectivas abertas a partir de agora são das mais diversas e é importante não perder o bonde da história. Os mais diversos movimentos provenientes de Occupy Wall Street  não podem se isolar. Precisam atuar conjuntamente para garantir seu fortalecimento político. Afinal, lutam contra o mesmo mal. Têm consciência, por exemplo, de que correm o risco de se perder priorizando debates internos sobre suas diferenças de táticas e dialogar pouco com o resto da sociedade, perdendo a chance de envolver mais pessoas.

Nesse sentido, duas iniciativas no sentido dessa unidade são a defesa da educação pública em NY e a luta contra a violência racista da polícia da cidade.

Em breve: um texto sobre os ataques à educação em New York City (claramente relacionados à política de austeridade dos EUA)

* Maia Fortes é militante do PSOL e membro da Equipe Editorial do Juntos!