08 DE MARÇO: DAS FLORES À REVOLUÇÃO FEMINISTA!

14/mar/2012, 22h16

*Barbara Dias (graduada em Dança, Militante do Juntos/Juntas)

Pensar no dia 8 de Março, é acima de tudo honrar a luta de todas as mulheres percussoras de nossas atuais bandeiras, é lembrar que esse dia não é de flores, nem jantar a luz de velas. É dia de ganharmos as ruas!

É por isso, que nós, do juntas, estamos nas ruas novamente neste  8 de Março, para mais uma vez mostrarmos que a luta contra o machismo e o capitalismo precisa ser todos dias. Precisamos resistir e denunciar toda e qualquer forma de violência sexista, a opressão e o domínio sobre nossos corpos. Nossa luta é por uma sociedade socialista e livre, na qual as mulheres tenham voz, superando definitivamente as opressões de gênero e de classe. 

Essa violência sexista é resultado da ideologia machista que considera a mulher um ser subalterna e sem direitos. E quem mais deveria zelar pelo acesso e permanência das mulheres em uma sociedade livre de preconceitos, violência e opressões não cumpre seu papel. O governo da presidenta Dilma nos mostra um quadro com cortes de orçamento em áreas sociais importantes para a vida das mulheres, hoje vemos em curso a consolidação de uma política de saúde da mulher vinculada à sua função procriativa e que criminaliza o aborto, como é o caso da Rede Cegonha, da sanção da MP557 (Cadastro de Gravidez) e a nomeação para o Ministério da Pesca do Senador Marcelo Crivella, lembrando que ele é a principal figura pública da bancada ‘pró-vida’ no senado. E como exemplo de um maior descaso, pautas das mulheres e LGBTs – como a PLC 122 e o kit anti-homofobia – são utilizadas como barganha com a bancada conservadora, o que nos prova que mais uma vez o governo petista está do lado dos corruptos e empresários, desenvolvendo o capitalismo sem se preocupar em extinguir as estruturas de sua exploração e opressão.

O governo Dilma e diversos governos estaduais promovem remoções forçadas que afetam diretamente as mulheres em comunidades e territórios para destiná-los às obras da Copa do Mundo – às obras do PAC e obras de especulação imobiliária em várias partes do país – principalmente na Amazônia. Um exemplo grave desse tipo de violência foi o ocorrido em Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos e o que vem ocorrendo na cidade de Altamira, aqui mesmo no Pará, com a construção da Usina de destruição Belo Monte, uma obra destruidora da Amazônia e à serviço das empreiteiras.

Nosso papel enquanto mulher é construir o protagonismo feminista e de esquerda nas lutas e na denúncia dos diversos tipos de violência sofrida pelas mulheres e pelo conjunto da classe trabalhadora. Este é um dia onde a luta das mulheres, que deve ser diária e não somente hoje, se expressa no enfrentamento da desigualdade de classe entre homens e mulheres e da violência sexista ainda presente em nossa sociedade. Estamos juntas assumindo o protagonismo em vários movimentos e insurreições por todo o mundo. É por isso que o 08 de março segue sendo uma inspiração na luta feminista que o coletivo Juntas tem como compromisso, para continuar lutando por uma sociedade livre de opressão!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017