Educação não é mercadoria!

13/mar/2012, 14h03

*Guilherme de Oliveira

Aos estudantes. Aqueles que buscam aprender mais, uma ambição tão nobre nos dias de hoje onde aqueles que deveriam dar o exemplo, nossos representantes, preferem alimentar a sede de lucro dos empresários a alimentar a sede de conhecimento dos jovens brasileiros. O que esta acontecendo hoje na PUC Minas é a expressão de uma geração que não agüenta mais ver o ensino a mercê de interesses privados, não consegue mais conciliar sua procura com a demanda oferecida. Não muito diferente, ano passado os estudantes da PUCRS, onde estudo, protagonizaram um grande movimento onde um dos pilares também era o descontentamento com as mensalidades que não param de subir na Pontifícia.

Neste ano, mais de 4 mil alunos pararam a PUC Minas com palavras de ordem e muita disposição para frear a ambição da católica que em nenhum lugar seria considerada como boa cristã louvando tanto ao dinheiro! A lógica do capital sempre pautou as instituições religiosas que sempre estiveram ligadas aos grandes empresários e políticos corruptos que facilitassem sua obtenção fácil de lucro, obtida por vezes vendendo terreno no céu e por outras em troca de saúde ou educação. Pela falta de um Estado atuante, podemos ver o quão prejudicial é para a população quando religião /empresas privadas se misturam com o poder publico, seja para barrar o combate a homofobia ou para aumentar as mensalidades sobre o ensino. ´

Vivemos em um país onde a constituição assegura diversos direitos aos cidadãos e a realidade é um Estado praticamente neoliberal. As concessões públicas de comunicação, a saúde, educação, habitação, terras… Basta ser brasileiro para saber que quem manda aqui são os empresários e que o neoliberalismo com certeza só funciona para meia dúzia e condena a maioria a pobreza, a falta de direitos. Hoje, jovens europeus estão indignados porque estão ficando um pouquinho mais parecidos conosco, estão perdendo direitos na educação que nós aqui nunca tivemos. O Brasil é o 3 ° país que pior paga seus professores, investe cerca de 5,1% do PIB em educação e só 10% consegue chegar ao ensino superior. E para onde vai o resto do valor obtido através da exploração do trabalho dos brasileiros? A maior parte vai para os bolsos dos empresários, de universidades privadas por exemplo, que financiaram a campanha de Dilma, sob o álibi da tal ‘’divida pública’’. Com uma realidade dessas, com um Estado corrupto e invisível desses, universidades como a PUC se divertem.

Todo ano a PUC aumenta as mensalidades e isso não é normal, não pode ser. Nosso trabalho, nossas vidas não podem ser mera peça do quebra-cabeça que compõe a riqueza de empresários e políticos corruptos. Desconfiemos do mais trivial, pois nesta lógica ignorar é aceitar algo tão injusto. Queremos educação publica e de qualidade, queremos que o Estado garanta nossos direitos e não que ele continue atacando-os em troca de apoios políticos e financiamentos de campanhas. Sou contra a mercantilização da educação, não é por nada que não estou sozinho e que sou do Juntos!

*Presidente do Centro Acadêmico de Comunicação Social da PUCRS e militante do Juntos!

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