Somos todos prisioneiros palestinos!

17/abr/2012, 18h20

*Guilherme de Oliveira

Hoje, 17 de abril, é o dia que simboliza a luta pela liberdade dos heróicos presos palestinos. Mais de 5.000 lutadores estão encarcerados nos muros sionistas da vergonha, estes muros sustentados pelo imperialismo yanke que não mede fronteiras para obter mais lucro. Reconhecer a ocupação israelense e não reconhecer o Estado da Palestina é uma injustiça inadmissível e é com a obrigação daqueles que buscam justiça que os palestinos foram presos lutando. Se terrorista é aquele que quer liberdade para seu povo, aquele que dá a vida por uma causa, que luta contra a discriminação, pela justiça, contra uma ocupação assassina, então somos todos terroristas.

Dentre os diversos aspectos que caracterizam o Estado de Israel, como um Estado que desrespeita qualquer norma de direito internacional, está o julgamento do preso palestino como um criminoso comum e não político. As ações realizadas pelos palestinos são contra uma ocupação armada dos seus territórios e, ao resistir, se configura um ato político. Os israelenses insistem em afirmar que os presos são terroristas, sendo que o mundo todo já sabe que terrorista é o Estado que bombardeia covardemente um território sitiado, não poupando nem um hospital da ONU, como Israel fez – no final de 2008 – contra a Faixa de Gaza. Lutar contra isso nada mais é do que ser humano e não tolerar aqueles que querem ser animais.

Entre os presos, podemos ver mulheres, velhos, crianças, inclusive, recém-nascidas e homens que não têm direito algum. São proibidos de assistir televisões árabes, de receber livros, não fornecem muitos alimentos e têm sérias restrições para receberem visitas. Os prisioneiros da Cisjordânia podem receber visita somente uma vez por mês, de 30 minutos, e só de parentes de primeiro grau. Os da Faixa de Gaza estão proibidos de ver seus entes queridos há mais de seis anos. Para entrar nesse regime do terror israelense não precisa ser um grande criminoso, por vezes basta topar com um soldado na rua. Isto porque existe uma lei que permite a qualquer soldado israelense, em qualquer ponto da Faixa de Gaza ou da Cisjordânia, prender e levar, para um lugar desconhecido, onde o palestino ficará incomunicável por 30 dias, só por ser suspeito de ser um terrorista.  Durante três dias o prisioneiro não sabe onde está, depois é comunicado e pode ter a prisão renovada várias vezes, podendo ficar 5, 6, 7 anos preso sem saber o porquê e sem direito a advogado. Nos demais crimes em que é permitido ter advogado, este não tem acesso às provas que fundamentam a acusação, e só pode tentar reduzir a pena, nunca revertê-la. Os tribunais são militares que se baseiam nas provas fornecidas pelo Shin Bet, o serviço de inteligência interno de Israel. Falar que a justiça em Israel é cega com certeza é uma grande mentira.

No ano passado, em 2011, foram libertados 600 presos palestinos em troca de um soldado israelense. Para Nader Bujah, advogado e militante da causa palestina, ‘’O ato não quer dizer de modo algum que Israel esta mudando sua postura. Todas as trocas que ocorreram nos últimos 20, 30 anos sempre tiveram soldados israelenses do outro lado. É importante salientar que Israel não cumpriu com o combinado – de soltar 1.027 presos e eu acredito que não vai cumprir’’.

Em nenhum momento, principalmente neste governo do primeiro-ministro Benjamin Netahyanu, Israel buscou a paz com a Palestina. Como bem salientou Nader, o primeiro-ministro israelense, afirmou no seu discurso, em julho de 2009, que Jerusalém é uma cidade única e indivisível do povo judeu, os seis milhões de refugiados palestinos não podem voltar para casa, a Palestina deve ser desmilitarizada, Israel vai colocar tropas na fronteira com a Jordânia para que não tenham continuidade com o outro irmão árabe ,vão dominar o espaço aéreo da palestina e controlar as eleições. Quem promove este discurso não quer a paz e nada mais vai fomentar do que a luta do povo palestino pela retirada imediata de uma ocupação tão violenta e arbitraria.

Nader Bujah, advogado e militante da causa palestina.

Perguntado sobre o que gostaria de falar para os companheiros palestinos presos, Nader disse que ‘’existem pessoas no mundo, como no Brasil, por exemplo, que sempre estão fazendo algo em favor de vocês, estão divulgando a vossa causa, porque é uma causa justa. Vocês tem que resistir, vocês representam o orgulho dos palestinos. Vocês sacrificaram suas vidas, a convivência com seus filhos, familiares para mostrar que são pessoas heróicas que lutaram contra a ocupação israelense’’.

* Guilherme de Oliveira é presidente do Centro Acadêmico de Comunicação Social da PUCRS e militante do Juntos!