Não vão nos calar: seguiremos com o “dedo na ferida”

13/maio/2012, 23h34

* Rodrigo Silva

A prisão do rapper Emicida hoje em Belo Horizonte, por suposto desacato (na música “Dedo na Ferida”), só vem reforçar a ideia de que quem defende o pobre, desacata a autoridade!

Nos dias de hoje, são poucos os estilos musicais que colocam o “dedo na ferida” e dão vez e voz à população pobre que nunca é ouvida.

O rap é um desses estilos, juntamente com o funk. Há alguns anos, o deputado Marcelo Freixo (Psol) propôs uma lei que defende o funk carioca como um patrimônio do Rio de Janeiro. A cultura popular foi defendida, mas quem defende quem bota a boca no microfone e canta todas as mazelas que a grande parte da população não vê, e muitas vezes, sequer sabe que existe?

A morte de vários cantores de funk na baixada santista, tendo policiais como principais suspeitos, a prisão de Emicida, por “desacatar” a PM com sua música de protesto (música que faz uma crítica a desapropriação do bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos – SP) são exemplos da perseguição que sofrem aqueles que se aventuram a desafiar a cortina de fumaça que a grande mídia e os políticos impõem a sociedade.

Estamos Juntos! Com todos aqueles que tem a coragem de enfrentar o silêncio e denunciar as injustiças que são cometidas em nosso país e no mundo!

Liberdade ao Emicida!

Liberdade de expressão!

* Rodrigo Silva é professor da rede pública de São Paulo e grande apreciador do funk e do rap de protesto!

Pronunciamento oficial da Assessoria do Emicida sobre o caso:

“O rapper Emicida foi detido na noite deste domingo (13) após terminar seu show no festival Palco Hip Hop, em Belo Horizonte (MG), acusado de desacato à autoridade.

O motivo foi o seguinte comentário do músico, feito antes de dar início à música “Dedo na Ferida”, a primeira de seu show. “Antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com ‘noiz’ nessa aqui, ó. Mandando todos eles se fuder, certo, BH? A rua é noiz.” O momento foi registrado em vídeo.

Policiais militares que prestavam serviço no evento consideraram o comentário ofensivo a eles, esperaram que Emicida terminasse seu show e deram voz de prisão ao músico, que foi levado ao 39 DP (Barreiro) pouco depois das 19h30 e liberado por volta das 22h35.

Na versão que foi registrada no Boletim de Ocorrência, policiais afirmam que Emicida teria dito uma frase diferente da que o vídeo e o áudio em anexo comprovam. Por isso, o músico não assinou o documento. A alegação dos policiais é a de que ele teria dito a seguinte frase: “Eu apóio a invasão do terreno Eliana Silva, região do Barreiro, tem que invadir mesmo, levantem o dedo do meio para cima, direcione aos policiais, pois todos esses tem que se fuder”.

Em nenhum momento o rapper se dirigiu diretamente aos policiais militares que trabalhavam no evento ou pediu que o público fizesse algum gesto obsceno a eles. O show ocorreu sem nenhuma confusão.

Emicida agradece às manifestações de apoio e carinho dos fãs. Na noite deste domingo, a notícia de sua detenção chegou a ser o assunto mais comentado do Twitter no Brasil e ficou entre os TTs mundiais também.”

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017