O café com brioche da juventude tucana na USP

11/maio/2012, 09h09

Pedro Serrano*

“Eu não tenho como me alimentar sem ser no bandejão. É uma coisa que eu preciso para poder realizar meus estudos.” Essas palavras saíram da boca de um membro da chapa Reação que disputou as eleições para o DCE-Livre da USP em março. Na ocasião, em plena campanha para o DCE, o estudante utilizava este argumento para se opor às greves na universidade.

Ele é a primeira pessoa, à direita, sentada na foto abaixo. Alimenta-se fartamente de café, suco de laranja, brioches e uma imponente salada de frutas. Junto com ele, sentados à mesa, estão os principais membros da chapa Reação na USP. E ao fundo, vestindo um elegante pullover amarelo, está João Grandino Rodas, o reitor da universidade, que atualmente persegue dezenas de estudantes, ameaçando expulsá-los por conta de sua atuação política na USP.

 Cai a máscara da juventude que só faz a velha política

O grupo que se organizou em torno da chapa Reação não existe somente na Universidade de São Paulo. Em várias universidades públicas do país, estudantes ligados a partidos como PP, PSD e – principalmente – PSDB, têm disputado eleições para DCEs através de um falso discurso apartidário, sem dizer abertamente a serviço de quem se colocam no movimento estudantil. Seu objetivo de fundo é acabar com a autonomia e a independência política dos estudantes.

Estes jovens, por isso, reproduzem o mais velho e torpe tipo de política que existe no país — a política do gabinete, da negociata e da barganha com os poderosos. Não se encontram essas pessoas nas ruas, lutando pelos direitos dos estudantes e da juventude. Seu habitat natural, pelo contrário, são as salas atapetadas do poder, e seus amigos são os nossos maiores inimigos.
Mas a máscara da juventude tucana não cansa de cair! Em 2010, na UFRGS, tiveram sua gestão de DCE cassada por conta de denúncias de corrupção. Agora, na USP, são retratados ao lado de João Grandino Rodas, um dos dirigentes mais truculentos e conservadores da história da universidade, apelidado de “xerifão” até mesmo pela revista Veja.

 USP: na mesa de poucos, fartura adoidado

As fotos, que vazaram ontem, deixaram estupefatos estudantes de todo o país. No entanto, o que elas revelam é, nada mais, nada menos, do que o tipo de política que acontece há décadas na Universidade de São Paulo. Os reitores da USP são eleitos de maneira profundamente antidemocrática e têm o direito de governar respaldados por um estatuto absolutamente anacrônico, que conserva na universidade uma estrutura de poder das mais antidemocráticas do país. Rodas, em especial, foi nomeado reitor diretamente pelo então governador do estado de São Paulo, José Serra.

Por isso, não é de se espantar o tratamento especial conferido pelo reitor aos “seus meninos” — a juventude tucana da USP. Quando não são os membros da chapa Reação a frequentar os gabinetes da reitoria, quem por lá passeia são certamente grandes empresários e figuras da política paulista e nacional. Gente que lucra e administra interesses às custas da maior e mais importante universidade do país, mantendo a USP distante da maioria da população brasileira.

É papel da juventude indignada mudar essa situação! O Juntos!, parte da gestão Não vou me adaptar! do DCE-Livre da USP, está engajado nisso. A luta por democracia na universidade é urgente! A velha política deve ser derrotada não somente em Brasília, mas nas ruas, escolas e universidades!

*Pedro Serrano é militante do Juntos! e diretor do DCE-Livre da USP