Os Professores votaram: é GREVE por tempo indeterminado! E agora, estudante?

16/maio/2012, 22h14

* Camila Souza e Samara Castro

“Não gosto de greve. Greve é ruim, atrapalha. E aos estudantes eu peço desculpas pelo transtorno, mas não há outro jeito. Os professores, a universidade e a educação precisam ser respeitados.” Essa foi a fala de um professor em uma das tantas Assembleias que percorreram o país.

160 favoráveis, 15 abstenções e 2 contrários. Este era o resultado final de mais uma deflagração de greve docente nas federais brasileiras. E esta era a vez da Universidade Federal de Uberlândia, no triângulo mineiro. Em Assembleia histórica dos professores e com ampla presença dos servidores e estudantes, terça-feira, dia 15 de maio de 2012 a UFU se integrava ao cenário nacional de mobilizações.

As redes sociais, que mais uma vez despontam como primeira fonte de troca de informações entre os estudantes de diversos lugares do país, já estimam mais ou menos 20 Universidades em greve docente. Tendo Minas Gerais despontado como o estado com maior adesão grevista até o momento.

A verdade é, que essa greve vem sendo ensaiada desde o ano passado. Em agosto de 2011 o Governo depois de muita pressão, fechou um acordo emergencial com o segmento docente, que postulava a tão famosa correção de 4%, vale dizer “correção” e não “aumento”. Enfim, esse acordo dito emergencial estava previsto para março de 2012 e é claro não foi cumprido.

A partir disso, as mobilizações se intensificaram. Por meio das paralisações crescentes, a greve dava seus primeiros sinais de inevitabilidade. Percebendo isso, na segunda feira dia 14 de maio (destaque para o indicativo de greve para o dia 17 de maio e que as Assembleias praticamente todas aconteceriam na referida semana), é editada por nossa Presidente Dilma a Medida Provisória 568. E como não poderia deixar de ser, a medida confunde a todos ao pontuar apenas partes do acordo firmado em 2011 e que teve quase um ano para ser efetivado via o Projeto de Lei 2303, e não foi feito. Mas o que o governo não diz é que essa Medida Provisória não contempla todas as reivindicações e muito menos aquela que é a grande e histórica reivindicação do movimento sindical docente: a reestruturação da carreira.

Após tantas reuniões o governo Dilma deu sua resposta: descumprimentos, manobras e enrolações. Do outro lado o movimento docente, nessa semana, também está dando a sua resposta: organização coletiva e greve nacional. Os professores continuam vivos na defesa da educação. Não lutam apenas por salários, mas por uma carreira que realmente os dê condições de lecionar com qualidade, para que então tenhamos uma universidade comprometida com a excelência acadêmica a serviço da sociedade. Cabe a nós estudantes também darmos a nossa resposta. E como disse o professor acima citado, que a greve é ruim e atrapalha é inegável. Mas você já parou para pensar que muitas das melhorias, direitos e conquistas foram frutos de greves passadas?

O Juntos! acredita que o momento de greve nacional abre um espaço rico de debate e questionamento sobre a universidade que nós temos hoje e quais os problemas que vivenciamos. É o momento de denunciarmos os cortes de verba na educação, que atingiram a casa dos milhões, feito pelo Governo Dilma em 2011 e 2012 e que tiveram reflexos no nosso cotidiano universitário. E nesse debate os estudantes têm muito a dizer e a contribuir. Por isso é fundamental também nos organizarmos e construirmos a nossa pauta de reivindicações e junto ao movimento docente transformar nossas indignações em ações coletivas.

* Camila e Samara são estudantes da Universidade Federal de Uberlândia, fazem parte do DCE e militantes do Juntos!

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