Reitor da UFPel condenado a 4 anos e meio de prisão

24/maio/2012, 02h49

Hoje foi um dia muito especial para a universidade Federal de Pelotas, um dia que há muitos anos o movimento estudantil esperava e que ao chegar não contemos a sensação de vitória. Cerca de uma hora após saber pela imprensa que o atual reitor da Universidade Federal de Pelotas foi condenado à 4 anos de prisão e perda de cargo, estudantes começaram a se deslocar para a frente do prédio onde ocorrem os Conselhos Superiores e que em 2008 foi cenário do golpe que reconduziu César Borges à reitoria.

César foi condenado por  dispensar licitação na instalação de serviço de hemodiálise  na UFPel, valendo-se de sua posição administrativa. César achou por bem, como sempre faz, usar de seu poder para conceder privilégios aos seus “amiguinhos”, porém, dessa vez, não passou.  A notícia chega em boa hora. Chega no momento em que a UFPEL respira ares de mudanças em função das eleições para a reitoria que estão a pleno vapor.  A condenação de César Borges chega no momento exato em que o candidato que representa a atual administração, Manoel Brenner de Moraes – candidato à reitoria pela chapa 1- não cansa de dizer que tem orgulho de fazer parte desta gestão. Esta gestão golpista, criminosa, condenada a pagar R$ 34.562,80 em multa.  A boa nova da condenação de César nos faz  ter esperanças em que a chapa de situação, que em todo momento defende a atual gestão, não chegue ao segundo turno das eleições. A comunidade acadêmica há muitos anos vem dizendo o que quer e o que não quer. Não queremos que este modelo corrupto de administração, pode ir César e leve consigo aqueles que insistem em tentar  corromper a UFPel.

Durante os últimos 4 anos da Era Borges a UFPel cumpriu cegamente as políticas dos governos Lula e Dilma. Assinou o REUNI sem discussão nenhuma com a comunidade acadêmica, gerando a maior expansão entre as universidades que aderiram ao programa e também a maior decadência estrutural, administrativa e pedagógica.  Aderimos ao SiSu como sistema único e ingresso à universidade , novamente sem nenhum um tipo de diálogo, e hoje os estudantes que veem de fora da cidade estudar não conseguem aqui se manter por não ter onde morar, onde comer.

Sabemos que a justiça tarda e falha, sabemos que as relações tanto com o governo, quanto com as classes dominantes da cidade facilitarão a empreitada de César em permanecer no poder. Temos plena consciência que a justiça que condenou César é a mesma que prende mulheres pobres que furtam para alimentar seus filhos e deixa livre corruptos. Contudo, essa condenação é uma vitória que vai além daquilo que a juíza escreveu. É uma vitória daqueles que há muito vem dizendo que a realidade da UFPEL não é de sonhos, é uma realidade de precarização do ensino público , com falta de professores, funcionários, laboratórios, livros, água… Com falta de democracia, transparência e diálogo.  É uma vitória daqueles que ocuparam a reitoria ano passado e ficaram pasmos com o fato de estudarmos na única universidade que se negou a receber as reivindicações dos estudantes e chamou a polícia para fazer a desocupação em menos de 48 horas.

Seguiremos  lutando para que ele perca o cargo. Que perca logo, que perca o mais rápido possível para que pare de sugar o dinheiro público em  benefício próprio, para que a UFPel deixe de ser um brinquedo na mão de César. O Reitor que processou estudantes que reivindicavam por uma UFPel minimamente decente, mais uma vez, foi condenado, que dessa vez tenha a vergonha de sair.  Por democracia real na UFPel estamos JUNTOS!

Ooo Cesar Borges, que papelão!

Entrou com golpe, vai sair de camburão!

estudantes da UFPel comemoram em frente ao apartamento do reitor pouco depois de saber da condenação

 

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017