“Se não há justiça, há escracho”

08/maio/2012, 14h48

*Juliano “Guly” Marchant

Escracho. Assim são denominados os atos realizados em frente às casas de torturadores e aos locais que foram utilizados pelos governos militares da América Latina para seus atos de tortura.

No dia 10 de maio, quinta-feira, o escracho será em Porto Alegre. O ato é uma iniciativa do Cômite Gaúcho da Verdade e da Justiça, coordenado pelo vereador Pedro Ruas do PSOL/Poa. Com o lema “Se não há justiça, há escracho” os manifestantes vão se encontrar na frente da antiga sede do DOPS, localizada na Rua Irmão José Otão, esquina com a Rua Santo Antônio, no Bairro Bonfim, a partir das 17h.

A manifestação também faz parte da Semana Nacional pela Memória e Justiça, que conta com atos de protesto em diferentes estados, e pede a imediata instalação da Comissão Nacional da Verdade, criada para apurar violações aos direitos humanos ocorridas no país entre 1946 e 1988, e sancionada pelo governo federal em novembro de 2011. No entanto, a comissão não prevê nenhum tipo de punição para esses crimes, pois reconhece a Lei da Anistia. Isso faz com que os anseios das vítimas e dos familiares de desaparecidos durante esse período permaneçam. Milhares de brasileiros foram afetados pelos atos de violência cometidos pelo Estado brasileiro, e nossos governantes temem uma comissão mais contundente que puna os torturadores – aqueles que acabaram com a vida dos que se colocaram em defesa da democracia.

Nosso direito à memória tem sido roubado, pois muitas pessoas não têm pleno conhecimento do que aconteceu durante a ditadura. Familiares de mortos e desaparecidos têm o direito de saber a verdade sobre seus entes queridos. O Juntos é a favor da verdade e não da meia verdade como querem nos empurrar. Vamos escrachar até que seja feita a justiça!

 

* Juliano “Guly” Marchant é estudante de Jornalismo da UFRGS e da setorial de Negros e Negras do Juntos!